Saúde: 800 milhões são "um passo na direção certa", diz o Bloco

O Bloco de Esquerda e o PCP comentaram esta tarde no Parlamento o plano do Governo de 800 milhões de euros para combater a suborçamentação no SNS

Ligeiras diferenças de tom marcaram esta tarde as reações do BE e do PCP ao plano de reforço orçamental do SNS anunciado de manhã pelo Governo.

Enquanto, pelo Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua disse que este é "um passo na direção certa", Paula Santos, do PCP, preferiu um neutro "registamos", acrescentando que faltam "elementos concretos" que permitam ao partido fazer "uma análise mais aprofundada".

O que ficou claro é que ambos os partidos já sabiam há cerca de dez dias que o Governo ia anunciar o que hoje anunciou - e que será traduzido na proposta governamental do Orçamento do Estado para 2020, que Executivo discutirá sábado no Conselho de Ministros e que na segunda-feira entregará no Parlamento.

Ou, dito de outra: quando o Bloco disse que eram necessários pelo menos 800 milhões para combater a suborçamentação do SNS, em 2 de dezembro, já sabia que o Governo estava a preparar essa cabimentação.

Mariana Mortágua disse que o passo dado foi "na direção certa" mas falta agora fazer um "caminho". O Bloco detetou para já duas "insuficiências": por um lado serão precisos 250 milhões no próximo OE para investimento em equipamento do SNS e o Governo só prevê 190 milhões em dois anos; e por outro, há também que providenciais às unidades de saúde "autonomia" para poderem fazer contratações (atualmente todas carecem de assinatura das Finanças). E além do mais, faltam incentivos para regular a exclusividade dos profissionais do SNS.

Já para o PCP importa, por exemplo, saber as previsões de aposentadoria no SNS - para perceber se os oito mil novos profissionais que o Governo pensa contratar acrescentarão, ou não, força de trabalho ao SNS. Ou seja: importa saber se "não haver maior capacidade para o SNS ir mais longe".

E ambos os partidos se escusam a revelar qual os respetivos sentidos de voto quando o OE for a votos na generalidade - muito menos para a votação final global.

O CDS, entretanto, também reagiu ao anúncio governamental e continua a perguntar se o Governo vai abrir ou não a ADSE aos privados. Quer saber também as "medidas de gestão" que o Governo está a preparar para melhor a gestão do setor.

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