Rui Rio: "Novo Banco? Parece que é tudo feito para vender barato, tudo feito para perder..."

Líder do PSD deixa críticas ao Governo, defende investigação judicial e admite necessidade de um inquérito parlamentar

O presidente do PSD considerou esta terça-feira que o pedido feito pelo Governo à PGR sobre o Novo Banco "é positivo, mas não chega", defendendo uma investigação judicial e admitindo como "provável" a necessidade de um inquérito parlamentar.

Em reação a uma notícia de hoje do jornal Público, que dá conta de que um fundo das ilhas Caimão comprou casas do Novo Banco abaixo do valor previsto com o crédito desta instituição financeira (com as perdas cobertas pelo Fundo de Resolução), Rio voltou a lamentar que o Governo tenha entregado "milhões de impostos dos portugueses" a esta instituição sem aferir se as perdas eram "reais ou fabricadas".

"O Governo devia ter tido o cuidado de aferir antes de pagar (...) Isso o Governo não cuidou de fazer e agora vai correr atrás do prejuízo, mas não é prejuízo do Governo, mas de todos os portugueses", criticou.

Questionado sobre o pedido feito pelo primeiro-ministro à procuradora Geral da República, Lucília Gago, para que o Ministério Público, enquanto representante do Estado, desenvolva os procedimentos cautelares adequados à proteção dos interesses financeiros do Estado, o líder do PSD considerou-o positivo, mas insuficiente.

"Não chega, com certeza que acho que é positivo. Sim, evitar que no futuro se faça mais isto, mas acima de tudo apurar o que se fez. O dinheiro, entretanto, já vai não sei aonde, já vai nas ilhas Caimão", alertou.

Rui Rio voltou a defender "uma investigação judicial a sério do Ministério Público" - que considerou ter um alcance completamente diferente da auditoria independente em curso ao Novo Banco -, mas admitiu igualmente a necessidade de um escrutínio político.

"Dá-me ideia que isto vai carecer também de uma investigação política para aferir verdadeiramente o nível de responsabilidade do Governo: o Governo assume que recebia a fatura e entregava o dinheiro e houve até uma dessintonia entre o então ministro das Finanças [Mário Centeno] e o primeiro-ministro", recordou.

Questionado se poderá vir a ser constituída uma comissão de inquérito especificamente para tratar deste assunto, Rio respondeu: "É bem provável".

"O PSD admite sempre tudo, mas não vamos pôr o carro à frente dos bois", pediu, apelando a que se deixe passar "mais algum tempo", até porque durante o mês de agosto o parlamento só funciona através da comissão permanente.

"Iremos ver a tempo e horas o que há a fazer no plano político. Em paralelo correrá, estou convencido disso, uma investigação judicial", afirmou.

O líder do PSD salientou que tem sido "dos poucos sempre em cima" do dossier Novo Banco e que, já em maio, tinha alertado no parlamento para outros imóveis vendidos abaixo do valor de mercado por esta instituição bancária.

"Mas devo confessar que, se tudo isto é verdade, ainda é mais grave do que pensava", afirmou, apontando que a notícia de hoje do jornal Público veio noticiar a venda pelo Novo Banco a cinco empresas "testas de ferro num fundo de off shores" de "imóveis baratíssimos e com largas perdas que foram os contribuintes portugueses a pagar".

O líder do PSD chamou a atenção para o facto de se tratar de um lote que incluía 5.500 imóveis, o que considerou restringir muito mais a procura, do que se tivesse sido dividido em lotes mais pequenos.

"Parece que é tudo feito para vender barato, tudo feito para perder, para dar mais valias a alguém, e ser o contribuinte português a pagar. Se isto é verdade é gravíssimo", considerou.

Rio recordou que, por diversas vezes, alertou o Governo que "não podia entregar milhões e milhões de euros" de impostos ao Novo Banco sem aferir se as perdas reclamadas pelo banco eram devidas ou "fruto de negócios que podem ser ilegais, podem criminosos, mas são pelo menos eticamente reprováveis".

"Depois do Banco Espírito Santos, de tudo o que pagámos, cria-se um banco a que houve a lata de chamar banco bom com prejuízos deste tamanho e negócios com estes contornos. Isto é gozar com os portugueses", lamentou.

Para Rui Rio, uma investigação do Ministério Público devia abranger o contrato da venda do Novo Banco à Lone Star e "tudo o que aconteceu depois"

"Eu não sou juiz, há de haver, espero eu uma acusação, um julgamento, mas compete-me, enquanto líder político e deputado, pôr o dedo na ferida e insistir no assunto", afirmou.

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