Rui Rio diz que primeiro-ministro "deu a mão à palmatória"

Líder social-democrata acredita que escolhas de António Costa vão ao encontro daquilo que vem dizendo o PSD nas áreas da Defesa, da Saúde e da Cultura.

Sobre a remodelação governamental, o presidente do Partido Social Democrata (PSD) considera que primeiro-ministro "deu a mão à palmatória". Rui Rio reagiu ao anúncio dos novos ministros da Defesa, Saúde, Economia e Cultura, este domingo, a partir da sede do PSD, Porto.

"Esta remodelação assenta nas áreas em que o PSD tem feito as suas principais críticas ao Governo. Nessa medida, significa que o primeiro-ministro acaba por reconhecer aquilo que nós temos dito, de certa forma", afirmou o líder social-democrata.

O líder o PSD, deu o exemplo do Ministério da Defesa, no qual considera que a gestão feita pelo Governo nunca foi ao encontro do prestígio das Forças Armadas. "Quer no caso de Tancos, quer no caso do Colégio Militar, quer no caso da morte dos comandos e na forma como tudo isto foi gerido politicamente, nunca foi defendido o prestígio das Forças Armadas. Na Defesa, o país está pior hoje, do que estava há três anos. E, portanto, há reconhecimento quanto à necessidade de mudar o ministro da defesa", defendeu.

No caso da Saúde, Rui Rio, voltou a repetir que também nesta área o país está pior do que há três anos, tal como demonstra a "notória" degradação dos serviços quer em termos humanos, quer de infraestruturas e investimento.

Já na Economia, o presidente do PSD, considerou que falta uma estratégia sustentada de médio e longo prazo, quando o que o país precisava era de um crescimento sustentável assente nas exportações e no crescimento.

"O crescimento que temos é um crescimento fraco, dos piores da Europa, arrastado pelas condições europeias e não pelas políticas publicas. E, portanto, na economia nós desperdiçamos três anos muito importantes. Na economia, nós não investimos, nós distribuímos", sustentou.

Na Cultura, acrescentou que, o passado fala por si: "três ministros em três anos, o que dá uma média de um ministro por ano, o que revela o desnorte do Governo relativamente ao setor".

Para o líder do PSD há, contudo, um ministério que não foi remodelado, apesar das críticas.

"Há estas quatro remodelações, mas não há remodelação do ministro da Educação. E, portanto, podemos tirar a conclusão que o primeiro-ministro entende que na Educação se não estão bem, pelo menos estão razoáveis. E nós sabemos que as coisas na Educação não estão bem. Se em todas as outras áreas o primeiro-ministro acaba por dar a mão à palmatória, na Educação não", considerou.

Rui Rio estranhou, contudo, o momento escolhido pelo Governo para esta remodelação que "é a maior deste 2011", e questionou se os ministros terão saído pelo seu próprio pé.

"No dia em que o Governo aprova a proposta do Orçamento do Estado, saem os ministros que a acabam de aprovar e entram os ministros que vão gerir aquilo que os outros que acabaram de sair desenharam", afirmou.

Rui Rio lançou ainda a questão sobre "se os ministros saem pelo próprio pé, de certa forma descontentes com aquilo que é Orçamento do Estado para 2019, ou se por vontade exclusiva do primeiro-ministro", considerando que este será um tema que fica "por esclarecer".

Depois da reunião de ministros extraordinária, este domingo António Costa anunciou mudanças no Governo para a pasta da saúde, cultura, economia e defesa. Azeredo Lopes é substituído por Gomes Cravinho, Marta Temido vai para a Saúde, Graça Fonseca passa a ministra da Cultura e Siza Vieira assume a Economia. Novidades trazem ao governo cinco mulheres, num total de 16 ministros.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, concordou com propostas de nomeação de António Costa, aceitando a "exoneração dos atuais ministros da Cultura, da Saúde e da Economia, a seu pedido, e dos ministros Adjunto e do Ambiente", que acompanham a saída de Azeredo Lopes da Defesa.

A tomada de posse terá lugar amanhã, segunda-feira, 15 de outubro, pelas 12.00, no Palácio de Belém, no dia em que o Governo entrega a sua proposta de Orçamento do Estado no Parlamento.

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