PCP nega ter recebido dinheiro de Ricardo Salgado

O PCP rejeita perentoriamente ter recebido qualquer financiamento para as suas campanhas eleitorais de Ricardo Salgado,

Os comunistas "rejeitam em absoluto" que tenham recebido qualquer financiamento por parte do antigo dono do Banco Espírito Santos (BES), Ricardo Salgado, para as campanhas eleitorais. Isto depois do politólogo José Adelino Maltez ter sido considerado injusto o Ministério Público só apontar o dedo à campanha presidencial de Cavaco Silva em 2011, por ter sido alegadamente financiada por 'saco azul' do banco'.

José Adelino Maltez considerou ao DN que: "Todos os partidos receberam!". E lançou um desafio às forças políticas, incluindo o PCP: "Gostava de os ver declararem que não receberam qualquer financiamento do Dr. Ricardo Salgado. Ou estão à espera de que tudo isto passe e não os atinja?"

Em resposta o PCP garante: "O PCP rejeita em absoluta as calúnias e mentiras de Adelino Maltez e a insinuação de que todos os partidos terem 'recebido financiamento de Ricardo Salgado'".

O politólogo insistiu que pensar que só a campanha de Cavaco Silva foi financiada "é muito pouco, porque era rotina". Acredita que se o ex-banqueiro quisesse falar contaria como financiava todos. "Eu próprio testemunhei conversas nesse sentido", diz. Considera esta a "parte oculta da política portuguesa" e, por isso é preciso fazer um reset e tirar lições de tudo o que aconteceu.

Recordava que Ricardo Salgado apareceu a gerir o seu império no começo da democracia portuguesa que ficou "marcada geneticamente"" por estes comportamentos. "É por isso que se demoraram a fazer denúncias" remata, ao mesmo tempo que saúda a justiça portuguesa por quebrar este ciclo de "feudalismo e de troca de favores". António Costa Pinto entende que este caso nem é o mais melindroso para o antigo Presidente da República. Mais complexo e que terá atingido a sua imagem com mais estrondo foi o caso BPN, que envolveu a antiga elite dos seus governos, nomeadamente Oliveira e Costa.

No entanto, o politólogo admite também que "as dúvidas" vão persistir sobre o caso BES, até pelas declarações que Cavaco fez na altura sobre a garantia da idoneidade do banco quando já estava numa situação crítica. "O nome de Cavaco vai continuar a vir à baila quando se falar do BES", afirma.

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