PCP marca comício para 7 de junho

"Era o que mais faltava que neste momento se procurassem cercear as liberdades democráticas", diz Jerónimo de Sousa.

O PCP vai voltar à rua para alertar para o que diz ser o aprofundamento de políticas que vão degradar a situação económica e social dos trabalhadores portugueses. O Comité Central do partido decidiu marcar para 7 de junho um comício, no lançamento de um conjunto de iniciativas subordinado ao lema "nem um direito a menos, confiança e luta por uma vida melhor'.

Antes disso, os comunistas arrancam a 21 de maio com uma "ação de sensibilização e contacto" junto dos trabalhadores, prosseguindo no dia 28 com uma ação em defesa e valorização do Serviço Nacional de Saúde, para dar a conhecer o programa de emergência proposto pelo partido para o SNS.

O anúncio foi feito pelo secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa, numa conferência de imprensa, na tarde deste domingo, para dar conta das conclusões da reunião do Comité Central, que decorreu no sábado.

"Era o que mais faltava que neste momento se procurassem cercear as liberdades democráticas, a atividade política, coisa que o povo português não aceita, e que sacudiu e acabou há 40 anos. Teremos em conta, naturalmente, as medidas que se verificam em termos de segurança sanitária, isso posso garantir, corresponderemos à realidade e às medidas que se aplicam", afirmou.

"Não queremos nem mais nem menos direitos do que outras atividades incluindo no plano político", frisou Jerónimo de Sousa, assegurando que o comício do PCP decorrerá "com sentido de responsabilidade".

Numa altura em que o PCP tem sido alvo de críticas, por não afastar a hipótese de relaização da Festa do Avante!, num contexto em que os festivais de Verão foram proibidos, Jerónimo apontou a "intervenção articulada dos círculos de poder do grande capital visando em particular o PCP e a CGTP,". Para os comunistas o objetivo último é "atingir o próprio regime democrático, a Constituição da República e a limitação, se não mesmo a liquidação, de direitos, liberdades e garantias fundamentais".

Sublinhando a importância da "resistência e da luta dos trabalhadores e das populações", o líder comunista referiu que "as comemorações do 25 de Abril e a jornada do 1º de Maio apontam o caminho. Enfrentando e vencendo a chantagem antidemocrática, garantindo as necessárias medidas de prevenção e proteção sanitárias, impõe-se, para o presente e para o futuro, a utilização dos instrumentos de intervenção e luta que a Constituição da República Portuguesa consagra", defendeu Jerónimo de Sousa. Uma declaração que aponta no sentido da realização da Festa do Avante!, marcada para o primeiro fim de semana de setembro, no Seixal.

Defendendo que o surto pandémico está a ser aproveitado para tentar limitar ainda mais os direitos dos trabalhadores, Jerónimo de Sousa alertou "para os riscos de degradação da situação económica e social, sobretudo perante a insistência em opções e medidas limitadas nos seus efeitos, quando não contrárias aos interesses do País".

Costa com Marcelo nas presidenciais? Entendam-se, se for essa a opção

Já quanto às eleições presidenciais, questionado sobre as declarações de António Costa na última quarta-feira - que deu Marcelo Rebelo de Sousa como candidato e até reeleito -, Jerónimo de Sousa sugeriu que se entendam.

"Aquilo que podemos dizer é: entendam-se, se é essa a opção, que a façam", referiu o secretário-geral do PCP.

Já sobre se o PCP vai ter um candidato próprio e se este será escolhido antes ou durante o Congresso marcado para novembro, Jerónimo de Sousa responde que "é uma questão pertinente" - "Naturalmente que participaremos nessa batalha. Em relação à forma, não está definido, o Comité Central não o definiu".

"Da parte do PCP, com toda a sua autonomia e a sua independência, garanto que vamos ter intervenção nas presidenciais", acrescentou.

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