PCP contra "banalização" do lay off

António Costa apresenta esta segunda-feira aos partidos as linhas gerais do Programa de Estabilização Económica e Social. Jerónimo avisa que o regime de lay off não pode prolongar-se indefinidamente.

"Que não se ande para trás" - esta é a exigência do PCP deixada esta manhã ao primeiro-ministro, durante uma reunião em São Bento para apresentação das linhas gerais do Programa de Estabilização Económica e Social, que se traduzirá também num orçamento suplementar.

Um dos pontos focados na reunião foi o prolongamento do atual regime simplificado de lay off. No final, Jerónimo de Sousa admitiu a extensão por mais algum tempo deste mecanismo, mas também sublinhou que "não se pode tornar banal aquilo que é inaceitável", ou seja, que os trabalhadores se mantenham com um corte de um terço nos salários. Uma situação que, nesta altura, abrange cerca de 800 mil pessoas, lembrou o líder comunista.

Jerónimo de Sousa, em declarações aos jornalistas no final do encontro, adiantou que o Governo mostrou abertura para acolher algumas propostas do PCP, mas não revelou quais. "Haverá 3/4 medidas importantes que o Governo considerará", sublinhou o secretário-geral comunista, revelando que, previsivelmente, o Governo deverá apresentar o documento em junho. Mas, para já, o PCP nada adianta sobre o sentido de voto quanto ao orçamento suplementar - para isso quer ver em concreto o documento que irá a votos na Assembleia da República.

Num encontro que se prolongou por quase três horas, o PCP apresentou ao Executivo aquelas que considera serem as prioridades para os próximos meses - a defesa dos trabalhadores; das "centenas de milhares de pequenas empresas que estão aflitíssimas"; e o "urgente reforço do Serviço Nacional de Saúde, o "instrumento mais seguro e duradouro de combate à pandemia".

As reuniões que vão decorrer ao longo do dia de hoje e de amanhã visam apresentar aos partidos as linhas gerais do Executivo para o Programa de Estabilização Económica e Social, com o objetivo de fazer frente aos efeitos económicos da pandemia de covid-19. Esta segunda-feira António Costa reúne com o PCP, PEV, BE e PAN. Amanhã será a vez dos restantes partidos.

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