Nuno Melo lança petição para rever disciplina de Cidadania

O eurodeputado do CDS Nuno Melo é o primeiro subscritor de uma petição que pede a revisão da disciplina de Cidadania ou a sua passagem a opção. "A disciplina, desde 2015 tem sido capturada pela esquerda radical", diz.

Nuno Melo e um conjunto de personalidades do CDS, entre outras, lançaram esta quinta-feira uma petição dirigida ao governo para que altere os conteúdos da disciplina de Cidadania, que é obrigatória, ou em alternativa a torne opcional.

"O que se contesta não é a ideia de uma disciplina de Cidadania, que é útil, mas dos conteúdos atuais e da sua apropriação da esquerda mais radical e de associações marginais à comunidade escolar que querem formatar sociologicamente até políticamente os alunos", afirma ao DN Nuno Melo.

Entre as questões polémicas abordadas na disciplina, o eurodeputado cita a "doutrina de género" e o aborto. "Há temas sobre os quais, como estes, que a posição da sociedade não é só uma e não há espaço para apresentar várias posições", sublinha. Insiste que o Estado através da Comissão para a Igualdade financia associações de LGBT e femininistas para darem formação nestas aulas.

"Há temas sobre os quais, como estes, que a posição da sociedade não é só uma e não há espaço para apresentar várias posições"

"São entidades alheias ao universo docente e ao quadro escolar e que pretendem uma conformação sociológica e política que interfere no processo formativo dos alunos, sem que os pais possam ter qualquer interferência", argumenta.

Inevitavelmente, vem à baila o caso que desencadeou a polémica mais recente sobre a disciplina. A dos dois alunos de Famalicão que foram chumbados por não terem frequentado nas aulas de Cidadania, por opção dos pais.

Nuno Melo frisa que "a Cidadania é muito importante, mas a forma como a disciplina está configurada é perversa e divide a sociedade". Com a petição quer que "a disciplina regresse à sua essência do que já está estabilizado na sociedade" ou, mantendo o mesmo conteúdo, torná-la opcional.

"a Cidadania é muito importante, mas a forma como a disciplina está configurada é perversa e divide a sociedade"

A petição foi também subscrita, entre outros, pelo líder parlamentar do CDS, Telmo Correia o ex-governante Paulo Núncio, o presidente do CDS Madeira e Secretário Regional da Economia Rui Barreto, o ex-deputado Hélder Amaral, os autarcas Jorge Pato, Miguel Paiva e Ricardo Mendes, e ainda Álvaro Castello-Branco,

Há também um documento que vai no mesmo sentido, denominado "Em defesa da Liberdade de educação", que foi entregue em setembro ao Presidente da República, subscrito, entre outros, por por Cavaco Silva, Passos Coelho e pelo Cardeal Patriarca de Lisboa.

Em contraponto há também uma petição, nomeada "Cidadania e desenvolvimento: a cidadania não é opção", que defendem a disciplina tal como ela está concebida. Entre os subscritores conta-se Ana Gomes, candidata às eleições presidenciais.

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