Mário Nogueira apela aos partidos (PCP incluído): "Deixem-se de politiquices"

A Fenprof vai lançar hoje uma carta aberta ao PSD, BE, CDS, PCP e PEV apelando para que aprovem uma lei que consagre os nove anos, quatro meses e dois dias de devolução salarial.

A novidade foi avançada pelo líder do sindicato, Mário Nogueira, numa conferência de imprensa de reação à entrevista, ontem, na TVI, onde o primeiro-ministro manteve a ameaça de demissão caso o Parlamento aprove um decreto que consagre o direito de os professores serem integralmente ressarcidos do tempo de carreira que lhes foi congelado (nove anos, quatro meses e dois dias).

Dirigindo-se ao PSD, BE, CDS, PCP e PEV - partidos que propuseram alterações ao decreto do governo sobre esta matériia (que só consagra dois anos, nove meses e 18 dias) -, Mário Nogueira foi lancinante: "Deixem-se de politiquices", "pensem nos professores", "pensem no que é essencial", "façam justiça aos professores", "não aprovem nada que em definitivo mate a luta dos professores", "não cometam a injustiça de apagar seis anos e meio de carreira aos professores".

A conferência de imprensa realizou-se esta manhã e vem na sequência do anúncio pelo PCP (partido de que Nogueira é militante) de que manterá - contra o pedido que o líder da Fenprof tinha pedido - o voto contra normas propostas pelo PSD e pelo CDS que pretendem assegurar sustentabilidade orçamental no ressarcimento total dos professores de acordo com as imposições do Pacto de Estabilidade.

Este voto contra do PCP, somado aos do PS e do BE sobre a mesma matéria, conduzirá ao chumbo das propostas do PSD e do CDS. E estes dois partidos já anunciaram, por sua vez, que sendo essas propostas reprovadas, votarão contra o novo decreto na votação final e global, votos esses que, juntos com os do PS, acabarão por contribuir para chumbar o novo decreto, mantendo portanto em vigor o original, do Governo, que só consagra dois anos, nove meses e 18 dias.

Na conferência de imprensa, Mário Nogueira acusou o primeiro-ministro de "mentir" e "intoxicar a opinião pública" com informações falsas, considerando mesmo que o Executivo, ao "virar os portugueses contra os professores", "não está em condições de governar".

"Os professores não vão baixar os braços" e estarão presentes no plenário da AR quando ocorrer a votação final do decreto (presumivelmente dia 10). Além disso, amanhã, a partir das 15.00, começarão a acorrer às antigas direções regionais de Educação professores com mais de 55 anos para pedirem a pré-reforma.

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