Marcelo pede "resistência" e "unidade no essencial"

Presidente da República fala neste 5 de outubro como "um dos mais difíceis e exigentes", se não o mesmo o "mais sofrido" dos 46 anos de democracia.

O Presidente da República pediu esta manhã aos portugueses que "continuem a resistir" no contexto das duas crises que o país vive atualmente - a sanitária e a económica. E, se em relação à primeira, não sabemos quanto tempo vai durar, já a segunda "durará anos, e mais anos ainda se for uma oportunidade desperdiçada". Marcelo Rebelo de Sousa apontou este 5 de outubro como como "um dos mais difíceis e exigentes", se não o mesmo o "mais sofrido" dos 46 anos de democracia.

Num discurso proferido no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a sede da Câmara de Lisboa, onde há 110 anos foi proclamada a implantação da República, o chefe de Estado sublinhou que o "que nos diz este 5 de Outubro" nestes tempos de exceção "é que temos de continuar a resistir, a prevenir, a cuidar, a inovar, a agir em liberdade, a saber compatibilizar a diversidade com a convergência no essencial, a sobrepor o interesse coletivo aos meros interesses pessoais".

Um alerta deixado exatamente uma semana antes da entrega do Orçamento de Estado para 2021 na Assembleia da República e quando decorrem ainda as negociações tendentes à viabilização do documento, que deverá ser aprovado em Conselho de Ministros já na próxima quinta-feira.

Evocando a ética republicana, Marcelo lembrou também que esta "repudia compadrios, clientelas, corrupções". Antes, logo no início do discurso, já tinha afirmado que o esforço de recuperação e a mudança que a crise impõe a Portugal "só valerá realmente a pena se não servir apenas alguns portugueses privilegiados".

Perante uma plateia muito limitada, devido à pandemia de Covid- 19, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que "há quem proponha tempos e modos diferentes, do lado da vida e da saúde, como do lado da economia e da sociedade" para fazer face à atual situação. "Esta diversidade é democrática e é por isso respeitável. Procuremos respeitá-la, buscando a convergência no essencial, evitando o excesso de dramatização" - de ambos os lados, fez questão de sublinhar.

Medina. "Ninguém entenderia uma crise artificial"


E os "desafios maiores" com que Portugal está confrontado, disse ainda Marcelo Rebelo de Sousa, "não são de uma pessoa, de uma classe, de uma corporação, de um partido, de um governo, de um primeiro-ministro, de um presidente da república." São de todos os portugueses. Que ninguém pense que está dispensado de comparecer nesta luta", advertiu.

Antes do Presidente da República, discursou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, que defendeu que o país tem de manter-se "focado no essencial". "Ninguém entenderia que, num país ainda marcado por feridas da última crise, alguns preferissem uma crise artificial à responsabilidade da resposta à vida de milhões de portugueses", referiu o autarca, numa alusão ao Orçamento de Estado e aos parceiros de negociação do Governo, nomeadamente Bloco de Esquerda e PCP.

E foi também para estes partidos a advertência de que "tinha razão" quem defendeu uma política económica baseada na devolução de rendimentos - "Mas ter razão não basta. É preciso, quando confrontado com as suas responsabilidades, assumir a coragem da sua responsabilidade".

Por força da pandemia de covid-19 a cerimónia evocativa do 5 de outubro decorreu este ano no Salão Nobre dos Paços do Concelho e não ao ar livre, na Praça do Município, como é habitual. Além do Chefe do Estado, estiveram presentes o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o socialista Fernando Medina (que também discursou). Estiveram também os responsáveis dos tribunais superiores e um representante de cada partido representado na vereação lisboeta.

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