Livre. Moção quer retirar confiança política a Joacine

O conflito entre a deputada única do Livre, Joacine Katar Moreira, e a direção do partido, vai estar no centro das atenções do congresso do partido no próximo fim de semana.

"O LIVRE não tem outra alternativa a não ser retirar-lhe a confiança política."

Esta é a última frase da moção "Recuperar o LIVRE, resgatar a política", uma das 18 "moções específicas" - o equivalente nos outros partidos às moções setoriais - que será discutida no IX congresso do partido, convocado para o próximo fim de semana. A notícia foi avançada pelo Observador e confirmada pelo DN.

"Assim sendo, no caso de a deputada não se dispuser a renunciar às suas funções, o LIVRE não tem outra alternativa a não ser retirar-lhe a confiança política."

No texto lê-se: "Eis-nos chegados a um ponto em que as causas defendidas pelo LIVRE parecem não conseguir sobrepor-se ao ruído constante provocado pelos faits divers mais estapafúrdios; em que o coletivo parece soçobrar numa desmedida exposição mediática do indivíduo; em que o partido se arrisca a ver a sua própria sobrevivência posta em causa."

Concluindo: "Assim sendo, no caso de a deputada não se dispuser a renunciar às suas funções, o LIVRE não tem outra alternativa a não ser retirar-lhe a confiança política."

A moção, subscrita por militantes que não são dirigentes nacionais do partido, é exclusivamente dedicada ao "caso" Joacine Katar Moreira.

"O LIVRE ficou conhecido, é hoje conhecido, devido às peripécias, atribulações e polémicas internas [...], o que conduziu à degradação da imagem pública e da credibilidade do partido."

No primeiro parágrafo lê-se que "a eleição de uma deputada encheu todos os LIVREs de entusiasmo e esperança, pois existiam agora as condições para que os valores defendidos pelo partido passassem a ser conhecidos por mais e mais pessoas, ao mesmo tempo que era possível trabalhar com vista à defesa e implementação de medidas que melhorassem a vida de todos."

Mas logo a seguir acrescenta: " ​​​​Todavia, não foi assim que as coisas se passaram." Ou seja: "O LIVRE ficou conhecido, é hoje conhecido, devido às peripécias, atribulações e polémicas internas em que se viu envolvido de Outubro até hoje, o que conduziu à degradação da imagem pública e da credibilidade do partido".

"Do ponto de vista mais estritamente político, a situação é não apenas preocupante como confrangedora: apenas duas iniciativas foram apresentadas pela deputada."

Ao mesmo tempo, "a falta de articulação entre os órgãos do partido e o gabinete parlamentar, agravada pelas constantes declarações à comunicação social, afetaram, de modo insanável, as relações institucionais entre os órgãos do LIVRE e a deputada eleita. Mas também entre a deputada eleita e a generalidade dos membros, apoiantes, simpatizantes e votantes do LIVRE, que, com estupefação e tristeza, a ouviram afirmar que ganhou as eleições sozinha."

E "do ponto de vista mais estritamente político, a situação é não apenas preocupante como confrangedora: apenas duas iniciativas foram apresentadas pela deputada (Projeto de Lei 126/XIV e Projeto de Resolução 64/XIV), sendo a primeira, o projeto de lei de alteração à lei da Nacionalidade, de particular relevância para o partido, foi apresentada fora do prazo".

"Acresce o facto de as intervenções da deputada no hemiciclo evidenciarem falta de preparação, circunstância que encontra parte da explicação no facto do gabinete parlamentar assumir uma postura dissidente em relação aos órgãos do partido."

"Mesmo tendo em conta que o trabalho parlamentar se estende para além do hemiciclo, é manifestamente pouco... Ainda para mais tendo em conta os problemas ambientais a que Portugal não escapa, a degradação dos serviços públicos que se agravou apesar do governo da 'Gerigonça', a chegada da extrema-direita ao parlamento e a perigosa cooptação que esta tem feito de temas como a corrupção, entre outras questões prementes em que é necessário que o LIVRE tenha não apenas uma palavra a dizer, mas em também se assuma como uma voz que deve ser ouvida."

E a isto "acresce o facto de as intervenções da deputada no hemiciclo evidenciarem falta de preparação, circunstância que encontra parte da explicação no facto do gabinete parlamentar assumir uma postura dissidente em relação aos órgãos do partido, com destaque para o Grupo de Contacto [direção executiva do partido, que Joacine ainda integra]".

Segundo já foi noticiado, no próximo congresso Joacine Katar Moreira deixará de integrar o Grupo de Contacto do Livre, não integrando a lista única candidata. Também não é candidata órgão máximo deliberativo entre congressos, a Assembleia.

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