Jerónimo: "Fenprof quis salvar qualquer coisa, mas propostas de CDS e PSD não salvam nada"

Jerónimo de Sousa afirma que "o CDS faz um acrescento inquietante" às salvaguardas que colocou sobre a mesa, para aceitar reposição da contagem integral para professores, ao exigir a revisão do estatuto da carreira docente.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu esta terça-feira de manhã que a posição da Fenprof, que apelou à esquerda para deixar passar as propostas do PSD e CDS para a contagem integral do tempo dos professores, é de alguém que quer "salvar qualquer coisa, mas as propostas do CDS e PSD não salvam nada". "Pelo contrário", insistiu, "abrem uma nova frente", que é a revisão do estatuto da carreira docente, "e isso não é coisa pequena".

Segundo Jerónimo de Sousa, "o CDS faz um acrescento inquietante" às salvaguardas que colocou sobre a mesa, para aceitar a reposição dos nove anos, quatro meses e dois dias que os sindicatos dos professores exigem, ao "pôr em causa o estatuto da carreira docente".

Em entrevista à Rádio Renascença, o líder do PCP confirmou aquilo que o partido já tinha anunciado na noite de segunda-feira, ao garantir que da sua parte os comunistas mantêm as suas propostas. "Sim, chumbamos" as propostas de PSD e CDS, apesar dos apelos de Mário Nogueira. "Compreendemos essas preocupações da Fenprof, mas temos de ir à matéria de facto. "A levar à letra [o que propõem sociais-democratas e centristas] nem em 50 anos os professores recuperariam a contagem", afirmou, num argumento idêntico ao apresentado pelo primeiro-ministro, António Costa.

A grande diferença, argumentaria mais à frente, é que o primeiro-ministro não "teve alguma hesitação quando investiu mil milhões" na banca, duvidando que alguma vez o Estado venha a recuperar essa quantia.

Jerónimo admitiu que foi surpreendido pela ameaça de demissão do primeiro-ministro, "quase um canhão sem recuo", caso a contagem integral do tempo dos professores fosse aprovada na Assembleia da República.

O líder comunista recusou que o PCP tenha medo de ir a votos agora. O que está em causa, disse, é não perceber os motivos apresentados por António Costa. "Não, não percebemos os fundamentos de 'ou é como eu quero, ou vou-me embora'", apontou, depois de ter classificado o gesto do primeiro-ministro de "algum calculismo eleitoral".

Recordando as "contribuições muito positivas" na "reposição de rendimentos e direitos", durante a atual legislatura, Jerónimo notou que "o PS não mudou nestes três anos e meio, o que mudou foi a conjuntura", por causa da "correlação de forças na Assembleia da República". A ameaça de demissão do primeiro-ministro pode ter sido uma tentativa para o PS "querer mudar a conjuntura". "Escolheu um caso e uma oportunidade", sintetizou o comunista.

O líder comunista lembrou que "o compromisso com o PS está refletido numa posição conjunta bastante limitada", apesar de defender que foram além desse texto comum, exemplificando com o aumento das pensões, a gratuitidade dos manuais e o "passe social justo".

Recusando antecipar uma futura geringonça, depois das eleições legislativas, Jerónimo defendeu - sem admitir esse cenário - que "para isso" a CDU (PCP/PEV) precisa de "mais força" na votação.

No início da conversa, o secretário-geral do PCP (que já admitiu deixar a liderança no próximo congresso do partido, em 2020), garantiu que, "por enquanto", ainda não pensa em reformar-se. "Por enquanto ainda não penso nisso, tendo em conta que há tanta conta em fazer", afirmou.

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