Avante! Os "mojitos" ainda são quem mais ordena para a "fruição da vida"

A Festa do Avante! mais controversa da história do PCP abriu esta sexta-feira na Quinta da Atalaia. A redução da lotação imposta pela pandemia tornou o evento numa sombra do que já foi

Os veteranos da Festa do Avante! não escondem um grande desconsolo. Em termos de afluência, por causa das imposições da DGS, o evento comunista, que abriu portas ao público esta sexta-feira pelas 16h00, como de costume na Quinta da Atalaia, no Seixal, é um sombra do que foi nos outros anos.

Não admira. Até agora a Festa podia comportar cem mil pessoas - e sobretudo no dia do meio, sábado, ficava sempre à pinha. Depois, por causa da pandemia, o PCP reduziu a lotaçâo em dois terços, para 33 mil pessoas. E a seguir veio a DGS e impôs novo corte, para metade do que estava previsto pelo partido, cerca de 16,5 mil pessoas. Foram inúmeros os desabafos que o DN ouviu contra a DGS.

E a sigla até tem ecos de outros tempos - da PIDE/DGS [no caso, sigla de Direção Geral de Segurança] - o que menos ajuda ainda à imagem da instituição junto dos comunistas.

Mas o desconsolo não é só por a Festa estar vazia de pessoas como nunca esteve. A música que a banda G-Combo toca é muito dançante: rumbas e música caribenha em geral. Ora estar a banda a atuar, desde as 19h30, no Palco Paz, tendo à frente uma plateia às moscas - e ainda para mais com toda a gente obrigatoriamente sentada - só podia entristecer quem passava. Para quem quisesse mesmo dançar o melhor mesmo era ficar na alameda ao lado, de pé.

Do que o DN viu, o espaço que continua a atrair mais pessoas continua o Espaço Internacional, com as bancas expositivas e bares montadas por vários partidos "irmãos" do PCP no estrangeiro. A esplanada da Associação de Amizade Portugal-Cuba continua de longe a mais popular de todas, por via dos seus "mojitos" a três euros. Não faltam mesas nem sombras que protegem os clientes de um dia de verão quente e de poucas brisas.

Só que desta vez - mais uma vez por causa da pandemia -, a venda de "mojitos", como de bebidas alcoólicas em geral pelos vários bares espalhados pela Festa - teve de ser encerrada às 20h00. E os comunistas lá o fizeram, sem apelo nem agravo, disciplinados como sempre, no bar da Associação de Amizade Portugal-Cuba como em todos os outros. Havia quem sugerisse que a partir das 20h00 álcool só nas centenas de dispensadores de gel espalhados pela Quinta da Atalaia. No Facebook, o deputado Bruno Dias já andava a brincar com o assunto desde quinta-feira. Ficou por provar uma outra especialidade do Espaço Internacional, o shot gelatinoso de vodka russa.

Quem talvez tenha ficado a ganhar com o negócio tenham sido os diversos restaurantes que as direções regionais montam. Porque aí, sentado à mesa com uma refeição pela frente, não há limitações ao consumo de álcool. Mesmo assim, pelo que se foi percebendo, a afluência não tinha nada que se comparasse com a de outros anos. Os militantes do PCP e os que, simplesmente, gostam de ir à Festa, levaram a sério as limitações impostas pela DGS.

Pelas 19h00, o evento abriu oficialmente - mas desta vez sem o míni comício de boas vindas tradicional. A partir da Esplanada da Quinta, Jerónimo de Sousa leu uma mensagem que foi transmitida - aos soluços e com péssima qualidade de som - pelos altifalantes espalhados pela Quinta da Atalaia.

Pelas 19h04 ouviram-se os primeiros gritos de "PCP, PCP, PCP!". E depois de Jerónimo discursar lá se cantou a "Internacional" e o "Avante camarada". Quem seguiu o discurso via Facebook entendeu muito melhor o que o líder do partido quis comunicar. E, sem querer, o PCP premiou assim quem ficou em casa.

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