António Costa. "É absolutamente prematuro" mudar para o estado de emergência

Primeiro-ministro diz que o estado de calamidade se adequa à situação atual. "Temos que ter todos a consciência de que isto não é uma corrida de curto-prazo, é uma verdadeira maratona". Costa diz não afastar nenhuma medida, mas as restrições devem ser feitas na medida do "estritamente necessário".

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou este sábado que o estado de calamidade, em que Portugal está atualmente, é o "adequado" à atual situação e que é "absolutamente prematuro" equacionar uma mudança para o estado de emergência.

"Temos que ter todos a consciência de que isto não é uma corrida de curto-prazo, é uma verdadeira maratona. Estamos ainda em meados de outubro, temos um período de outono/inverno longo pela frente, o período em que tradicionalmente há mais infeções respiratórias. E a gripe ainda não chegou. Muitos pensávamos que seria nessa altura que estaríamos a viver a situação que estamos a viver hoje, e chegou tudo mais cedo, em todos os países da Europa".

Portanto, prosseguiu António Costa - que falava à saída de uma iniciativa promovida pela revista Visão, na Estufa Fria, em Lisboa - é "fundamental controlar a pandemia nesta fase, porque quando chegarmos à altura em que o inverno é mesmo duro, porventura a tensão vai ser maior".

Já sobre a possibilidade de Portugal vir a decretar um recolher obrigatório, como estão a fazer outros países europeus, o primeiro-ministro disse que não pode excluir nenhuma hipótese para o futuro, mas avisou que é preciso que as restrições tenham conta e medida para não potenciar o cansaço com a pandemia.

"Nós não podemos excluir a possibilidade de adotar qualquer tipo de medida, devemos ir adotando as medidas na medida do estritamente necessário". Se há algo hoje que é mais claro é que, sendo isto uma longa maratona vamos ter de gerir o nosso esforço. Todos temos consciência que uma das razões pelas quais esta segunda vaga tem existido é que há uma certa fadiga natural das pessoas relativamente o tempo que isto vai demorando", sublinhou.

Falando um dia depois de a Assembleia da República ter aprovado a lei que torna obrigatório o uso de máscara na rua, Costa elogiou o que disse ser uma "decisão difícil" - "É, obviamente, um incómodo, mas que adotamos para reforçar a consciência de que depende de nós controlar esta pandemia, se não quisermos ter medidas de encerramento mais globais".

Já sobre um casamento que se vai realizar em Arruda dos Vinhos, com 200 convidados, o líder do Executivo lembrou que na passada semana os casamentos foram limitados a um máximo de 50 pessoas, uma decisão tomada em Conselho de Ministros. "Mas temos que ter em conta que já havia eventos que já estavam marcados", disse hoje o primeiro-ministro.

As medidas valem, portanto, para casamentos que ainda não marcados à data da decisão do Conselho de Ministros. Costa deixou, no entanto, um apelo "muito especial para que as pessoas que já têm casamentos marcados respeitem as regras de afastamento e a forma como se relacionam".

"Sem exageros, ninguém está a dizer que os noivos não se beijem porque isso não faz sentido, mas se estamos num casamento hoje, obviamente não podemos estar como estaríamos em circunstâncias normais, não é possível estar tudo a dançar, tudo a abraçar-se", disse o primeiro-ministro.

Abstenção do PCP no OE é um "excelente indicador"

Já sobre o Orçamento do Estado para o próximo ano, António Costa qualificou como um "excelente indicador" a abstenção anunciada ontem pelo PCP para a votação na generalidade do documento, marcada para a próxima quarta-feira. ​​​​​​"É um excelente indicador de que é possível, conversando, procurando pontos de entendimento, trabalhar para ter um bom orçamento para o próximo ano", afirmou o líder socialista.

Quanto ao PS, Costa diz que o voto contra dos sociais-democratas é norma e expectável - "Não me surpreende, o PSD tem uma resposta antagónica da que nós temos para dar à crise". Para o primeiro-ministro os partidos da esquerda "são os apoiantes naturais de um orçamento que recusa uma resposta de austeridade" à crise. E lembrou que há ainda um "longo mês" de negociações pela frente até à votação final global do Orçamento.

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