Alegre e Soares pedem a Henrique Cardoso para "tomar partido" contra Bolsonaro

Socialistas lançaram apelo ao antigo presidente da República do Brasil apoie Haddad. "Em momentos de escolhas decisivas não se pode deixar de tomar partido", recordando Soares e o PCP em 1986

Os socialistas Manuel Alegre e João Soares lançaram esta quinta-feira um apelo ao antigo presidente da República do Brasil Fernando Henrique Cardoso para que este tome partido na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras contra Jair Bolsonaro. "Em momentos de escolhas decisivas não se pode deixar de tomar partido", defendem os dois históricos socialistas.

Alegre e Soares recordam as eleições presidenciais de 1986 em Portugal quando, na segunda volta, se enfrentaram Diogo Freitas do Amaral (que tinha alcançado 46,31% dos votos portugueses, na primeira ida às urnas) e Mário Soares (que se tinha ficado pelos 25,43%).

"Álvaro Cunhal convocou um congresso extraordinário do seu partido com um único objetivo: mobilizar o eleitorado comunista para derrotar o candidato da direita, Freitas do Amaral", recordam os militantes do PS, "apesar das sérias divergências então existentes entre socialistas e comunistas".

Sublinhando que "não há qualquer comparação entre o centrista democrata-cristão Freitas do Amaral e o fascista Jair Bolsonaro", os dois socialistas apontam para o facto de a decisão de Álvaro Cunhal e do PCP ter contribuído para a eleição de Mário Soares.

"Em momentos de escolhas decisivas não se pode deixar de tomar partido"

É esse partido que eles querem ver Fernando Henrique Cardoso (também conhecido no Brasil pelas iniciais FHC) tomar, num post publicado durante a noite no facebook: "Com todo o respeito pelo percurso democrático do presidente Fernando Henrique Cardoso, vimos pedir-lhe uma palavra contra Bolsonaro e pela defesa da democracia no Brasil."

Nos últimos dias, de acordo com a Folha de São Paulo, na quarta-feira, FHC foi enfático a negar o apoio a Bolsonaro, mas também não pediu o voto em Fernando Haddad. "Não tenho a menor condição de apoiar o reacionarismo cultural do Bolsonaro e não sinto vontade de engordar o caudal petista", afirmou o antigo presidente ao site Poder360, citado pela Folha.

Ao diário paulista, FHC admitiu que conversa "com todo o mundo", quando interpelado sobre um eventual contacto de Haddad. Deste lado do Atlântico, há quem peça esse gesto.

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