Açores. Ventura confirma: "Há uma alternativa à direita"

Chega está disponível para viabilizar governo regional dos Açores liderado pelo segundo maior partido, o PSD. Mas não quer integrar esse Governo.

O deputado único e líder do Chega, André Ventura, confirma que "é possível que aconteça" nos Açores o seu partido viabilizar nos Açores um governo regional liderado pelo PSD.

Numa entrevista DN/TSF - que o DN publicitará na integra este sábado às 23h00 e a TSF emitirá domingo depois do noticiário das 12h00 -, André Ventura afirma que tem "ouvido coisas boas" sobre uma das exigências que faz ao PSD para viabilizar um governo regional liderado pelos sociais-democratas nos Açores: a de que o PSD vá a jogo com um projeto próprio de revisão constitucional no processo que o Chega abriu na Assembleia da República.

"Somos sensíveis à questão de que tem de haver um governo [nos Açores]. Isso significa que vamos ser responsáveis. Há uma alternativa à direita."

"Não tenho propriamente indicações formais, mas tenho ouvido boas coisas sobre isso. Vamos ver. Agora, não deixo de notar que há uma mudança de atitude. <>trong>O PSD há uns meses dizia que nem pensar, não ia a jogo, não iria dar força a um projeto do Chega; agora admite que isso seja possível", afirmou.

Dito de outra forma: "Somos sensíveis à questão de que tem de haver um governo [nos Açores]. Isso significa que vamos ser responsáveis. Há uma alternativa à direita."

Ventura afirma até que "preferia um acordo escrito" e deixa uma garantia: um acordo do Chega com o PSD nos Açores - que, a existir, terá de passar por um Conselho Nacional do Chega - não implicará que o seu partido integre o futuro governo açoriano.

"O Chega não está disponível para soluções de governo com partidos do sistema. Não governa com partidos do sistema. Prefiro estar 20 anos na oposição do que fazer quatro anos de um governo indigno", afirma. "Nós queremos governar - muito -, mas queremos governar sendo nós a orientar o governo. Se me entrevistar daqui a um ano, ou dois, ou três, eu estarei a dizer a mesma coisa. Nós não vamos participar em governos liderados por outros", acrescenta.

"Nunca disse que quero ver os deputados do PSD levantados quando se discutir a castração química de pedófilos. Não. Quero é que venham a jogo como num Estado democrático em que não há cercas sanitárias à volta de partidos."

O líder do Chega regozija-se com este possível acordo com o PSD salientando como ele será importante para uma certa normalização do seu partido -e assegurando ao mesmo tempo que os sociais-democratas poderão "ir a jogo" na revisão constitucional sem ter de ir a jogo nas propostas concretas que o Chega apresenta.

"Nunca disse que quero ver os deputados do PSD levantados quando se discutir a castração química de pedófilos. Não. Quero é que venham a jogo como num Estado democrático em que não há cercas sanitárias à volta de partidos, porque ninguém vir a jogo é o mesmo que dizer que este é um partido tão mau, tão terrível, que nós nem sequer queremos discutir com eles. É essa dignidade que nós queremos dar ao processo", explica.

"Parece-me avisado e de bom senso incluir nesse projeto [de revisão constitucional] aquilo que esta experiência nos dita para estes enquadramentos."

Nas eleições regionais do domingo passado nos Açores, o PS voltou a vencer mas perdeu a maioria absoluta, passando de 30 deputados para 25 (39,1%). O PSD cresceu de 19 para 21 deputados (33,74%). O resultado pode proporcionar uma espécie de geringonça de direita liderada pelo segundo maior partido, o PSD. A direita ficou em maioria, pela soma dos deputados do PSD, do CDS (3), do Chega (2), do PPM (outros dois) e da Iniciativa Liberal (um).

Na sexta-feira, Rui Rio admitiu que o PSD poderá apresentar um projeto de revisão constitucional, nomeadamente para resolver dúvida resultantes das medidas que têm sido necessárias para combater a pandemia do covid-19.

"Eu próprio disse que o PSD ia apresentar um projeto de revisão constitucional num prazo [até final de 2020], que, por força das circunstâncias, não cumpri", afirmou.

Rio admitiu que não tinha previsto incluir no projeto do PSD matérias relacionadas com a covid-19, mas isso deverá ser alterado. "Parece-me avisado e de bom senso incluir nesse projeto [de revisão constitucional] aquilo que esta experiência nos dita para estes enquadramentos."

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