25 de Abril. Jerónimo de Sousa quer portugueses às janelas a cantar "Grândola"

Apelo foi feito no fim de um vídeo em que o secretário-geral comunista fala da atual situação do país causada pela pandemia do novo coronavírus.

O secretário-geral do PCP pediu esta segunda-feira que, "num tempo de ruas e avenidas quase vazias", os portugueses comemorem o 25 de Abril a cantar a "Grândola Vila Morena" às janelas de suas casas.

Jerónimo de Sousa aproveitou o final de uma declaração em vídeo transmitida pela página do PCP na Internet e nas redes sociais sobre a atual situação do país, causada pela pandemia de covid-19, para pedir aos portugueses comemorem a "Revolução dos Cravos", em 1974, "num tempo de portas fechadas e de ruas e avenidas quase vazias".

"Na tarde do 25 de Abril, às 15:00, vamos abrir as nossas janelas e cantar a 'Grândola Vila Morena' e o Hino Nacional, dando sentido à liberdade conquistada e aos valores de Abril, afirmando a nossa independência e soberania nacionais, com a profunda convicção de que ao medo e à resignação se hão de sobrepor a esperança no futuro e a luta por um País e uma vida melhores", disse.

O primeiro a dar a ideia de se cantar a canção de Zeca Afonso - a senha do golpe de estado de 1974 e que se transformou em canção símbolo da revolução - foi Vasco Lourenço, da Associação 25 de Abril, quando, em 26 de março, anunciou que a tradicional manifestação popular ia ser cancelada devido ao surto.

Numa altura em que a Assembleia da República está a funcionar com menos deputados, o PCP sempre defendeu que o parlamento deveria comemorar os 46 anos da revolução, adaptando a habitual sessão solene às circunstâncias, com menos parlamentares no hemiciclo.

Em 25 de abril de 1974, um movimento de capitães derrubou a ditadura de 48 anos, um golpe que derrubou Marcelo Caetano, chefe do Governo, e Américo Tomás, Presidente da República, e se transformou depois numa revolução, a "revolução dos cravos".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 114 mil mortos e infetou mais de 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registam-se 535 mortos, mais 31 do que no domingo (+6,2%), e 16.934 casos de infeção confirmados, o que representa um aumento de 349 (+2,1%).

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