Um em cada três portugueses está em risco de insegurança alimentar

Estudo elaborado pela Direção-Geral da Saúde aponta que 33,7% dos cidadãos não sabem se têm condições para pagar comida. Residentes no Alentejo, Açores e Algarve admitem mais dificuldades.

Um em cada três portugueses (33,7%) tem receio de não ter rendimentos para pagar comida. Sendo que 8,3% admitem mesmo já sentir essa dificuldade, revela um inquérito nacional sobre hábitos alimentares e atividade física, realizado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e pelo Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, publicado este sábado.

O Alentejo é a região do país onde mais pessoas (45%) estão em risco de insegurança alimentar, seguida pelos Açores (44,5%) e pelo Algarve (41,2%). Já o Centro é a zona onde esta circunstância se sente menos (29,8%).

O questionário, que decorreu entre nove de abril e quatro de maio, contou com a participação de 5 874 pessoas (com mais de 16 anos). E alerta ainda para uma alteração nos hábitos alimentares dos portugueses: 58,2% dos inquiridos indica ter melhorado a sua alimentação; 41,8% pioraram.

Entre os que admitem estar a comer pior estão os cidadãos com menos rendimentos. "As pessoas com dificuldades económicas são os que mais adotam o padrão de comportamento alimentar não saudável", refere a DGS, acrescentando que, no que diz respeito ao género, os homens alimentam-se pior do que as mulheres e a nível de idade, são os mais jovens quem come pior.

Para além das dificuldades económicas, os portugueses apontam ainda como fatores para a mudança do regime alimentar, as alterações no horário de trabalho, do estilo de vida e um aumento do stress.

Durante o confinamento provocado pela covid-19, o alimento que mais refletiu um aumento do consumo foi a água (31,1%), depois os snacks doces (30,9%) e a fruta (29,7%). Pelo contrário, diminuiu o recurso ao take-away (43,8%), a refeições pré-fabricadas (40,7%) e a refrigerantes (32,8%).

"Algumas alterações no comportamento alimentar parecem ter acontecido de modo agregado, tendo-se identificado um padrão alimentar menos saudável, caracterizado pelo aumento do consumo de snacks salgados, refeições pré-preparadas, refrigerantes e take-away e, por oposição, por uma diminuição do consumo de fruta e hortícolas. Este padrão de comportamento alimentar foi mais comum nos inquiridos mais jovens, do sexo masculino, com mais dificuldades financeiras e em risco de insegurança alimentar", indicam os responsáveis pelo inquérito realizado online e através de chamadas telefónicas.

Quanto ao reflexo da alimentação no peso, 57,3% dos cidadãos dizem que não houve alteração nos números quando subiram à balança. 26,4% refere que aumentou o peso e 16,3% que diminuiu.

60,9% dos portugueses fez pouco ou nenhum exercício físico

O confinamento fez cair também a prática de exercício físico, principalmente entre o sexo feminino. 53,6% dos inquiridos admitem ter diminuído a prática de atividade física, 28% afirma ter mantido e 18,5% aumentado. "Quando comparados estes resultados com estudos populacionais anteriores, a prevalência de pessoas com níveis baixos de atividade física praticamente duplicou", explica a DGS.

E embora a preocupação com a saúde, a gestão da ansiedade e a vontade de perder peso sejam apresentadas como motivadoras para manter o exercício regular, 60,9% da população confessa mexer-se pouco. Aliás um terço dos inquiridos diz passar três ou mais horas sentados, reclinados ou deitados, mesmo estando acordados. Os hábitos sedentários aumentaram, como ver televisão (70% das pessoas), estar ao computador, tablet, telemóvel (60,9%) e a ler livros (31,4%).

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