Alcochete. Sargento da GNR diz que 23 arguidos foram apanhados em flagrante

José Monteiro, sargento da Unidade de Investigação Criminal da GNR, é a testemunha que está a ser ouvida na terceira sessão do julgamento do processo do ataque à Academia do Sporting, em Alcochete.

À terceira sessão do julgamento do processo judicial sobre o ataque à Academia do Sporting, que está a decorrer esta quinta-feira no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, o sargento da Unidade de Investigação Criminal da GNR, José Monteiro, explica como decorreu a investigação que permitiu identificar os autores da invasão do centro de treinos de Alcochete. O militar, citado pelo Expresso, explicou que foram apanhados em flagrante 23 elementos do grupo que entrou na academia e que os restantes foram identificados em relatórios da PSP.

Questionado pelo advogado de defesa, Miguel Matias, sobre se foi possível saber quem fez o quê dentro da academia no dia 15 de maio de 2018, o sargento referiu que não foi possível identificar "de todo" de forma individual e dá como exemplo o facto de não existir um sistema de videovigilância no balneário, "pelo que é impossível determinar o que cada um fez".

"Isto não é um regabofe", diz juíza aos arguidos

Apesar de não existirem câmaras de vigilância no balneário, foi possível identificar alguns elementos, disse José Monteiro. O militar considera que o grupo agiu "de forma concertada" e o advogado Miguel Matias reagiu dizendo que esta é apenas "uma conclusão" do sargento.

A juíza Sílvia Rosa Pires faz uma advertência dirigida à sala onde estão os arguidos: "Isto não é para ser um regabofe. Se não querem ouvir, pelo menos não falem".

A testemunha continuou a ser interrogada e foi pressionada pelo advogado de Elton "Aleluia" Camará. Amândio Madaleno quis saber exatamente o que o arguido fez. O militar da GNR afirmou que tinha a ideia de que tinha sido um dos elementos que não entrou no balneário da academia, refere o jornal Record. Terá ficado no exterior com Fernando Mendes, antigo líder da Juventude Leonina, e Nuno Torres, outro dos elementos da claque.

A juíza pede repetidamente a Amândio Madaleno que "faça perguntas" e que não entre em divagações ou em diálogo com a testemunha.

"A história que os arguidos contaram, que foram à academia para dar apoio aos jogadores, foi completamente desmontada", afirma o sargento da GNR que diz ainda que Nuno Loureiro, que foi despronunciado do processo, foi identificado por um arguido através da alcunha. Já Rúben Marques, um dos arguidos, foi identificado por ter um cinto.

O militar da GNR, que presta serviço na secção de unidade criminal do departamento de investigação, disse ter "pegado" na investigação em setembro do ano passado, mais de três meses depois do ataque à academia, ocorrido em 15 de maio.

A quarta testemunha a ser ouvida pelo coletivo de juízes, presidido por Sílvia Pires, explicou que, "dos 43 indivíduos que entraram na academia, um que foi despronunciado,", acrescentando que "23 foram detidos em flagrante delito" e os restantes identificados pelas imagens das câmaras de videovigilância.

José Monteiro confirmou que foram investigados três grupos criados no Whatsapp -- Academia Amanhã, Piranhas on Tour e Exército Invencível --, que também ajudaram a consolidar a identificação dos arguidos.

"Mustafá, Musta ou terror"

"Sou advogado de Nuno Mendes, sabe quem é"?, pergunta Rocha Quental à testemunha, que lhe responde: "Sim, também conhecido por Mustafá, Musta ou Terror. É um líder. Valter Semedo e Tiago Silva são os braços direito dele".

O sargento diz que Mustafá foi identificado "desde o início". A juíza quer saber como é que o militar da GNR chegou à conclusão que Mustafá era um líder, tendo como braços direitos Valter Semedo e Tiago Silva. "Pelas conversas do [grupo] Whatsapp, em que era preciso pedir autorização a Nuno Mendes", responde a testemunha.

Segue-se Miguel A. Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, que quis saber quantas mensagens de Whatsapp dirigidas ao antigo presidente do Sporting foram registadas pela investigação. "Não há", responde o sargento da GNR. "Zero? Posso apontar então? Pronto. E reencaminhadas. Também zero?", volta a questionar o advogado e José Monteiro repete que não há mensagens.

À semelhança do que aconteceu na segunda sessão do julgamento, Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting, está ausente, uma vez que é um dos arguidos que pediu dispensa. A justificação prende-se com "questões profissionais" e por "não ter meio de transporte próprio", de acordo com o seu advogado Miguel A. Fonseca.

O antigo presidente do Sporting é um dos 44 arguidos deste processo. Bruno de Carvalho, que se identificou no tribunal como comentador, Mustafá, líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo. Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e Mustafá também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Em atualização.

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