PSD, PCP e BE unem-se para questionar gestão do Arsenal do Alfeite

Os partidos querem também ouvir a comissão de trabalhadores e esclarecer a situação do estaleiro naval depois de em maio ter sido mudada a administração sem que até agora se conheça a nova estratégia.

Os grupos parlamentares do PSD, do PCP e do Bloco de Esquerda, requereram a audição do presidente do conselho de administração do Arsenal do Alfeite, assim como da comissão de trabalhadores do estaleiro naval. Os três partidos querem esclarecer a situação da empresa quando existem muitas dúvidas sobre o futuro, como o DN noticiou recentemente.

"O Arsenal do Alfeite é uma instituição de referência para a construção e manutenção naval em Portugal, tendo uma ligação histórica à Marinha através da reparação e manutenção dos seus navios. A nova administração tomou posse em maio passado e ainda não é conhecida a sua estratégia para o futuro do Arsenal, o que tem gerado grande inquietação entre os trabalhadores", lê-se no requerimento assinado pelos deputados Ana Miguel dos Santos (PSD), António Filipe (PCP) e João Vasconcelos (BE).

Os parlamentares pedem a "audição do presidente do Conselho de Administração do Arsenal do Alfeite, o Dr. José Miguel Antunes Fernandes, e da Comissão de Trabalhadores do Arsenal do Alfeite, com o objetivo de esclarecer este Parlamento sobre a situação desta empresa".

O Arsenal do Alfeite tem uma nova administração desde maio passado, mas não se conhece ainda estratégia nem planos concretos. A administração anterior, dirigida por um oficial superior da Marinha, o contra-almirante José Garcia Belo (2018-2020), foi afastada com o Ministério da Defesa a justificar a decisão, ocorrida seis meses antes do final da comissão de serviço, com uma estratégia de "reorientar" o estaleiro.

Pela primeira vez na história, o conselho de administração do Alfeite não integra nenhum oficial da Marinha.

O tempo tem passado e não se conhecem novidades o que tem deixado os trabalhadores inquietos e a Marinha apreensiva. "Desde que fomos transformados numa empresa com capitais públicos, em 2009, já vamos na quinta administração. Há promessas, planos, estudos, mas o que vemos é o estaleiro cada vez mais degradado e a esperança a morrer", sublinharam ao DN Tibério Rodrigues e António Pereira, da comissão de trabalhadores da Arsenal do Alfeite, S.A.

Como o DN noticiou no dia 15, na última década, a saída de quadros, técnicos e operários, tem esvaziado o estaleiro da mão-de-obra qualificada essencial para a confiança dos clientes nacionais e internacionais. Obras, como a de uma nova doca que permitiria receber mais navios para reparação, não saíram do papel.

A construção de dois novos salva-vidas, com material moderno e tecnologia de ponta, está muito atrasada: o prazo de conclusão era o final de 2018, mas só um dos dois navios está agora em fase de testes.

A Marinha, a sofrer diretamente com sucessivos atrasos na manutenção dos seus navios, cada vez mais recorre a estaleiros estrangeiros, ficando dependente das prioridades das armadas de outros países.

Este cenário motiva a atenção dos partidos políticos que pedem agora a comparência da administração e dos trabalhadores no Parlamento.

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