Ordem dos Médicos sugere alargar restrições entre concelhos ao juntar os dois períodos dos feriados

O gabinete de crise da Ordem dos Médicos recomenda juntar os dois períodos associados aos próximos feriados, 1 e 8 de dezembro, "de modo a evitar a circulação entre concelhos". Recomenda o "reforço de recursos humanos e técnicos" e uma coordenação nacional nos cuidados intensivos, além da utilização generalizada de testes rápidos aos pacientes sintomáticos que recorram às Áreas Dedicadas para Doentes Respiratórios.

Após as medidas anunciadas no sábado, no âmbito do estado de emergência, pelo primeiro-ministro António Costa, na sequência do Conselho de Ministros, o Gabinete de Crise para a covid-19 da Ordem dos Médicos recomenda ao Governo que junte os dois períodos associados aos feriados de 1 e 8 de dezembro para as restrições de circulação entre concelhos. Ou seja, sem que haja interrupções. Desta forma a medida entraria em vigor já esta sexta-feira (dia 27), às 23:00 e duraria "até às 05:00 de 9 de dezembro, de modo a evitar a circulação entre concelhos, com as exceções previstas, nomeadamente de âmbito profissional e escolar, nos 12 dias das duas pontes dos feriados de dezembro".

António Costa indicou que nas novas medidas restritivas vai ser proibido circular entre concelhos entre as 23:00 do dia 27 de novembro e as 05:00 de 2 de dezembro e as 23:00 de 4 de dezembro e as 05:00 de 9 de dezembro.

O Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos manifesta, em comunicado enviado às redações, a "preocupação pelo aparecimento de sinais crescentes de saturação e fadiga pandémica na população portuguesa" e nesse sentido receia que haja uma eventual "menor adesão às medidas preventivas". Pede, por isso, que deve ser reforçada "a necessidade de simplicidade, clareza, coerência e uniformidade nas medidas a implementar e no esclarecimento da população".

A Ordem dos Médicos lembra que o ECDC (European Centre for Disease Prevention and Control) já utiliza há vários meses a diferenciação por regiões com base na incidência do vírus, pelo que o país já poderia ter implementado este modelo há mais tempo "para fundamentar decisões a nível nacional com maior antecipação.

Reforçando o "valor indesejável e extremamente preocupante dos 500 doentes com covid-19" em unidades de cuidados intensivos (UCI), "com profundo impacto assistencial a nível global, a Ordem dos Médicos pede ao Governo o "reforço de recursos humanos e técnicos" e uma "coordenação a nível nacional das camas de internamento em enfermaria e medicina intensiva".

O Gabinete de Crise para a covid-19 indica ainda a genelalização de Testes Rápidos de Antigénio (TRAg) nos doentes sintomáticos que recorrem às Áreas Dedicadas para Doentes Respiratórios e a utilização de testes PCR só para casos negativos. "Os ganhos significativos de tempo com a utilização dos TRAg permitem um controlo imediato de focos de infeção e respetivos contactos", justifica a Ordem dos Médicos. Sugere ainda "testar precocemente, por exemplo, com TRAg todos os contactos de alto risco no início do seu período de isolamento profilático para investigação dos contactos secundários e eventual identificação de casos índice".

Profissionais de saúde "exaustos" e sujeitos a "burnout" e "sofrimento ético"

Consideram ainda a possibilidade da realização generalizada de testes rápidos "para rastreio de populações em zonas de risco extremamente elevado" (mais de 960 casos por 100 mil habitantes em 14 dias) "e com variação semanal crescente".

A Ordem dos Médicos sublinha na nota que devido ao atraso na realização de "dezenas de milhar de inquéritos epidemiológicos" a necessidade de "reforçar efetivamente as equipas no terreno e concentrar os recursos nos novos casos para impedir a acumulação de mais inquéritos em atraso". Equipas que devem ser compostas "por profissionais de saúde, devidamente habilitados e com as condições adequadas".

O Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos para a covid-19 termina expressando "apoio e solidariedade aos médicos e aos outros profissionais de saúde, que se encontram exaustos, sem períodos de descanso e sujeitos a um risco acrescido de contrair a infeção por SARS-CoV-2, de burnout e de sofrimento ético".

"Para esmagarmos a segunda onda e salvarmos a saúde e a economia nacionais, todos, coletivamente, e cada um de nós, individualmente, somos indispensáveis para com serenidade e responsabilidade enfrentarmos e vencermos esta ameaça global", apela a Ordem dos Médicos.

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