Covid-19. Faculdade de Medicina de Lisboa suspende aulas. Todas as outras aconselhadas a encerrar

O Conselho de Escolas Médicas Portuguesas recomenda que todas as faculdades de medicina do país encerrem temporariamente, de forma a evitar a propagação do novo coronavírus. Depois da Universidade do Porto, a Universidade de Lisboa é a segunda a seguir a recomendação.

O Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (CEMP) recomendou esta segunda-feira encerrar temporariamente todas as faculdades de medicina do país, avançou a SIC Notícias. Uma medida que pretende conter a propagação do novo coronavírus ao evitar o contacto de professores e alunos com doentes diagnosticados com covid-19. Depois de a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto ter anunciado a suspensão das aulas, também a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, cujo diretor é ainda o presidente deste conselho, decidiu fechar portas durante pelo menos duas semanas. A informação foi confirmada por uma fonte da reitoria ao DN.

Este conselho surge numa altura em que vários estabelecimentos de ensino suspenderam aulas ou têm em isolamento alunos depois de se ter confirmado casos positivos para covid-19 na comunidade escolar, sobretudo no norte, a região do país mais afetada pelo surto do novo coronavírus. Dos 31 casos confirmados, 23 são da região norte e 19 correspondem a um mesmo foco de contágio.

Em comunicado enviado às redações, esta segunda-feira, o CEMP recomenda a suspensão "desde já todas as atividades letivas presenciais nas Escolas e nos Hospitais e Centros de Saúde associados", bem como o encerramento dos "espaços normalmente utilizados pelos estudantes" (como bibliotecas e salas de estudo), "considerando a grande mobilidade de estudantes e docentes em ambiente hospitalar".

Entretanto, escreve, deve-se "implementar processos de ensino à distância, minimizando potenciais impactos pedagógicos" e procurar que, "nas áreas de investigação sejam adotadas medidas no sentido de se poder transitar para atividades mínimas em laboratório, promovendo também, sempre que possível, menor atividade presencial nas instalações". O conselho propõe ainda uma "mudança de legislação que permita, nas provas académicas e nos concursos em que não seja possível adiar as reuniões já agendadas, a participação por videoconferência".

Todas estas medidas "serão mantidas pelo prazo de pelo menos duas semanas, a contar da presente data sendo sujeitas a avaliação periódica em função da evolução da situação em Portugal", lê-se

Aulas suspensas no Porto. Reitoria admite extensão do ano letivo

Já esta segunda-feira, foram suspensas as aulas da faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), anunciou a instituição de ensino, que vai procurar "mitigar" o impacto desta decisão nos seus alunos. O comunicado da Universidade do Porto (UP) foi divulgado poucas horas após o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) ter comunicado que tinha recomendado à FMUP "a suspensão das atividades que exigem a presença física dos alunos ou docentes, promovendo abordagens de ensino à distância".

O CHUSJ comunicou também a suspensão de "todas as atividades de formação, nomeadamente aulas, estágios ou visitas de estudo" com a participação de profissionais daquele centro hospitalar ou realizadas nas suas instalações. "Ainda de acordo com a referida deliberação do Conselho de Administração do CHUSJ, todos os estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto estão, desde já, interditos de circular no edifício do Hospital de São João", alertou o comunicado da UP.

Uma nota do CHUSJ anunciava ainda que estavam suspensas "as atividades da Associação de Voluntariado do Hospital de São João e das associações com fins sociais (nomeadamente: Liga dos Amigos do Hospital de São João, Fundação Infantil Ronald MacDonald, Fundação do Gil, Acreditar - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro, Operação Nariz Vermelho -- Associação de Apoio à Criança, Associação Nuvem Vitória, Bebes de São João)".

São já várias as faculdades do Porto que estão a decidir, voluntariamente ou a mando do próprio governo, fechar portas. A reitoria da Universidade do Porto, a instituição mais afetada até agora, admitiu ao DN "a extensão do calendário académico" para colmatar a suspensão da lecionação das aulas.

No domingo à noite, a Direção-Geral de Saúde (DGS) mandou encerrar as escolas de Felgueiras e Lousada, uma vez que a maioria dos casos de infeção com o Covid-19 são residentes nestes dois concelhos.

"Tendo em conta a circunscrição de maioria destes casos aos concelhos de Felgueiras e Lousada, afetando também instituições escolares, a evidência apoia o fecho preventivo de todas as escolas. Estudos comparativos em circunstâncias de epidemia mostram que o fecho preventivo tem maior efeito quando comparado com o reativo. De acordo com os dados conhecidos, a maioria das crianças tem quadros ligeiros a moderados mas têm um reconhecido papel como transmissoras de doença, sendo que a redução do contacto entre elas poderá retardar a transmissão da doença na comunidade", justifica a DGS no boletim epidemiológico diário.

* atualizado às 16.58, com correção: O Conselho Nacional das Escolas Médicas recomendou (e não decidiu) esta segunda-feira encerrar temporariamente todas as faculdades de medicina do país

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