Marta Temido aponta falta de resposta à covid-19 nos setores privado e social

A ministra da Saúde afirmou no Parlamento que não têm existido respostas à doença covid-19 fora do Serviço Nacional de Saúde. "Ora por razões infraestruturais, ora por razões de dificuldade e de incerteza, perfeitamente compreensíveis e que tentaremos negociar e acomodar", explicou.

A resposta à pandemia de covid-19 está a ser apenas suportada pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), face à ausência de soluções proporcionadas pelos setores privado e social, revelou esta quinta-feira a ministra da Saúde, Marta Temido.

Em declarações na audição conjunta da Comissão da Saúde e da Comissão de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República, a governante recusou qualquer "prurido" ideológico no recurso a outros setores, face a uma interpelação do CDS sobre a possibilidade de requisição, reiterando que o Governo está "a negociar desde há vários meses" e que não desistiu da negociação com os demais parceiros no sistema nacional de saúde.

"Não temos tido respostas à doença covid fora do SNS. Não temos tido, ora por razões infraestruturais, ora por razões de dificuldade e de incerteza, perfeitamente compreensíveis e que tentaremos negociar e acomodar. Não queiram envolver o SNS, os portugueses e a atividade assistencial em guerras que não existem. Estamos cá para trabalhar e servir os portugueses, não para servir guerras que não interessam a ninguém", afirmou.

Aprovada despesa de 33 milhões de euros para atividade realizada fora do SNS

No momento de maior tensão até ao momento na discussão na sala do plenário do parlamento, Marta Temido fez questão de lembrar a autorização pelo Conselho de Ministros de hoje de "uma despesa de 33 milhões de euros para atividade realizada fora do SNS" em diversos hospitais para responder a populações com necessidades assistenciais.

"Estamos disponíveis para o fazer sempre que seja necessário e interessados em fazê-lo sempre que seja necessário", frisou a ministra, sem deixar de sublinhar a exigência do Governo na gestão do orçamento de 12 mil milhões de euros para o SNS: "Temos o dever de gastar esta verba adequadamente e de retirar a máxima eficiência possível dos meios que são postos à nossa disposição".

Paralelamente, Marta Temido rebateu críticas ao uso da telemedicina como forma de recuperação da atividade assistencial no SNS em função dos constrangimentos colocados pela covid-19, ao defender que este método foi também uma aposta de "outros países como forma de reagir e manter respostas às necessidades assistenciais" e sustentou a sua validade com o cumprimento de diversos critérios.

"Esta atividade é sempre realizada por um profissional de saúde, é objeto de registo e tem um conjunto de requisitos para que possa ser contabilizada como atividade de saúde. Não há uma menor valia, embora haja uma diferenciação óbvia entre um contacto presencial e um contacto à distância", notou, adiantando ainda que o "ministério da Saúde está a construir um referencial de validação deste tipo de atividade".

Ainda sobre meios de atendimento à distância, Marta Temido avançou no início da audição que a linha SNS24 atingiu um novo máximo de chamadas, passando de "uma média, no início da pandemia, de 3.500 chamadas para 41.664 chamadas recebidas" na terça-feira.

Portugal contabiliza hoje mais 46 mortos relacionados com a covid-19 e 4.410 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 2.740 mortes e 161.350 casos de infeção, estando hoje ativos 67.157 casos, mais 1.857 do que na quarta-feira.

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