Há 23 surtos em escolas. DGS garante que "situação está controlada"

Desde que recomeçaram as aulas, entre creches, escolas primárias, básicas, secundárias e universidades registaram-se 136 casos de covid-19, informou a diretora-geral da Saúde. A maioria das infeções aconteceu na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Portugal continental tem, nesta quarta-feira, 23 surtos ativos em instituições de ensino. A diretora-geral da Saúde garantiu, em conferência de imprensa, que a "situação está controlada" desde que as escolas reabriram. Verificam-se, segundo Graça Freitas, "poucos surtos e poucos casos", apesar de ainda ser "precoce" avaliar o impacto real do regresso às aulas na evolução epidemiológica do país.

Estes surtos correspondem a um total de 136 infeções pelo novo coronavírus entre alunos e funcionários (docentes e não docentes) e dizem respeito a todo o universo do ensino: creches, escolas primárias, básicas, secundárias e universidades.

A maior parte das cadeias de transmissão ativas encontram-se em Lisboa e Vale do Tejo (12). Seguem-se as regiões Norte (com sete surtos), Centro (três) e Algarve (um). No Alentejo, não há registo de algum surto numa escola.

Quanto ao impacto destes casos na situação epidemiológica do país, a responsável pela DGS diz que ainda é cedo para este género de avaliações. No entanto, a informação dada pelos inquéritos epidemiológicos elaborados pela saúde pública faz crer que o contágio acontece mais vezes dentro das famílias e é transportado para a escola do que o contrário. "Muitas vezes há familiares doentes e parece que a transmissão aconteceu mais dos familiares para as crianças do que ao contrário. Noutras vezes, os casos positivos são em funcionários que vêm da comunidade e terão contraído a infeção na comunidade", disse Graça Freitas.

Em geral, a deteção de um caso positivo não perturba o funcionamento da escola, apenas de uma turma, mas isto depende sempre da avaliação de cada estabelecimento de ensino com as autoridades de saúde. "A decisão de ir apenas uma turma para casa está relacionada com a própria organização da escola. Quanto mais organizada por bolhas, por setores, por aulas a escola estiver, mais fácil será manter os alunos na escola e enviar para vigilância em domicílio o menor número de pessoas", explica a diretora-geral da Saúde, que aproveitou ainda para fazer um apelo à comunidade escolar para que "segreguem ao máximo, sem deixar que as pessoas deixem de conviver".

O regresso às aulas presenciais aconteceu na semana de 14 a 17 de setembro, que corresponde ao início do ano letivo 2020-21, depois de este tipo de ensino ter sido suspenso no dia 17 de março por causa da pandemia de covid-19. Um dos principais objetivos é que o ensino se possa manter presencial no máximo de situações possíveis, ou seja, que as escolas continuem a funcionar, mesmo quando são encontrados infetados e haja a necessidade de isolar uma turma, por exemplo.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais oito pessoas por causa da covid-19 e foram confirmados mais 944 casos de infeção. Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (7 de outubro), no total, desde que a pandemia começou, registaram-se 81 256 infetados, 51 037 recuperados (mais 325) e​ 2040 vítimas mortais no país.

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