Falta de resposta da linha SNS24 está a levar doentes com sintomas a procurar urgências

Neste sábado, a linha SNS24 atendeu mais de 2500 chamadas, mas está longe de ser suficiente. A falta de reposta da linha telefónica está a fazer que doentes estejam ir diretamente aos serviços de urgência para ser observados e testados

As autoridades de saúde pediram desde o início que pessoas com sintomas associados ao covid-19 não se dirigissem aos serviços de urgências ou a outras unidades de saúde sem primeiro ligarem para a linha SNS24 para serem avaliados e depois encaminhados. Mas tal não está a ser respeitado.

A falta de reposta da Linha SNS 24 está a fazer que doentes estejam ir diretamente aos serviços de urgência para ser observados e testados. De acordo com os dados divulgados pelo Portal da Transparência, esta linha terá atendido ao até ao final da tarde de hoje mais de 2500 chamadas, mas não é suficiente.

O DN contactou vários hospitais onde este afluxo já está a ser registado, nomeadamente no Hospital São João, no Porto, e nos hospitais de Santa Maria e São Francisco Xavier, em Lisboa. A própria ministra Marta Temido admitiu nesta tarde de sábado, na conferência sobre o ponto de situação do dia, haver doentes que estão a entrar pelas urgências.

Daí a necessidade de alargar o equipamento de proteção individual a mais profissionais do que àqueles a que estavam destinados até aqui. Segundo a governante, é preciso que quem está na linha da frente dos cuidados e a receber doentes se sinta protegido e seguro no desempenho das suas funções.

Neste momento, referiu a ministra, Portugal está na fase ascendente da epidemia e é preciso salvaguardar os profissionais de saúde, é preciso mudar comportamentos, senão o SNS não aguentará na resposta a dar a todos os que precisarem.

O DN apurou que no Hospital São João, no Porto, ao final do dia de sexta-feira, região que regista já 77 casos positivos, havia fila de pessoas que recorreram à urgência para relatar, mais do que ter sintomas, que estiveram em contacto com pessoas infetadas ou com outras que tinham estado em contacto com infetados.

Velocidade de transmissão deste coronavírus é enorme, única arma para o conter até agora é a prevenção.

Uma das preocupações dos cientistas em relação a este novo novo coronavírus SARS-CoV-2 é mesmo a velocidade de transmissão. Não havendo ainda analgésicos e antivirais específicos para o seu tratamento, a única arma que se tem neste momento contra o vírus é mesmo a prevenção, através do isolamento social e da ausência de contacto.

O mesmo fluxo observado no Porto está a acontecer também nos hospitais de Lisboa com urgência aberta. Pelo menos, assim aconteceu no Centro Hospitalar Lisboa Norte e no centro Hospitalar Lisboa Ocidental. Profissionais de ambas as unidades confirmaram ao DN ter já recebido doentes que entraram pela urgência com sintomas e a quem fizeram os respetivos testes.

Santa Maria fez mais de 250 testes a doentes. Há seis positivos

Em cinco dias, o número de casos suspeitos e positivos disparou em Portugal, mas, segundo nos explicaram, tal também tem que ver com a alteração do critério de caso - ou seja, antes eram encaminhados para os hospitais só os casos validados pela Linha de Apoio ao Médico (LAM) com sintomas, que tivessem viajado para as zonas afetadas ou com quem tivessem estado em contacto com infetados. Mas desde segunda-feira que a DGS alterou os critérios e começaram a ser testados todos os doentes com situações respiratórias graves já internados ou que chegassem às urgências.

Uma situação que fez que aparecessem dois doentes internados no Hospital de Santa Maria positivos ao covid-19. O hospital fechou enfermarias e começou a testar todos os profissionais que tivessem tido contactos diretos ou indiretos com os doentes. Ao que apurámos, até esta sexta-feira o hospital fez 160 testes a profissionais, que deram negativos, e mais de 250 a doentes internados. Neste grupo foram encontrados mais quatro doentes positivos ao covid-19, além dos outros dois no início da semana.

Neste momento, e segundo fonte hospitalar, faltam apenas testar sete doentes para o hospital poder completar a despistagem da doença nas dez enfermarias da área das medicinas, depois de terem aparecido os dois casos de doentes internados que deram positivo.

Ao todo, durante esta semana, foram feitos mais de 400 testes. O hospital tinha uma reserva de 500 para esta semana, tendo começado já a receber mais durante a semana. Para já, está previsto um reforço em mil testes, na próxima semana deverão chegar mais mil. Ao todo, cerca de dois mil, sendo estes testes feitos todos no laboratório do próprio hospital.

Fonte hospitalar confirmou ao DN haver uma funcionária infetada com covid-19, mas cuja cadeia de transmissão não foi a do foco dentro do hospital. A funcionária entrou pela urgência e terá sido contaminada por um familiar.

No Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, o DN sabe que nesta semana foram também realizados testes a todos os doentes internados, começando pelos que se encontravam com uma situação respiratória grave. Até agora, segundo fonte hospitalar, "já foram feitos vários testes, mas nenhum deu positivo e não há ninguém internado. O primeiro foi feito a uma doente internada no Hospital Santa Cruz, na quarta-feira, mas o resultado chegou no dia seguinte negativo", referiram-nos.

A mesma fonte explicou que os testes estão a ser feitos no Hospital Egas Moniz, por ter sido ali que foi montado todo o mecanismo laboratorial, mas até agora o serviço de infetocontagiosas ainda tem as 26 camas desocupadas.

Neste sábado, o mundo regista 155 840 casos positivos ao covid-19, 5814 mortes e 74 438 recuperados.

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