Ensino Superior. Já são 68 os cursos com desemprego zero em Portugal

No ano passado, o desemprego entre os recém-diplomados do ensino superior público voltou a descer e situou-se nos 3,3%. Mas há dezenas de cursos que garantem emprego, maioritariamente nas áreas das ciências e tecnologias. Só a Universidade de Lisboa soma nove cursos desta lista e a de Coimbra cinco.

É um novo recorde. Num ano, de 63 passaram para 68 as licenciaturas e mestrados integrados em instituições de ensino superior portuguesas cuja taxa de desemprego (de acordo com os desempregados registados no Instituto do Emprego e Formação Profissional) dos seus recém-diplomados é de 0%. Os dados, relativos a 2019, são divulgados esta sexta-feira pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior a três semanas do arranque do concurso nacional de acesso às universidades.

São as áreas de ciências e tecnologias que mais ocupam a lista destes cursos, com Engenharia Informática (oito cursos), Enfermagem (sete cursos) e Medicina (seis cursos) em grande destaque. Embora haja fugas à regra, como os cursos de Educação Básica, no Instituto Superior de Ciências Educativas (em Odivelas), uma instituição privada, e no Instituto Politécnico de Setúbal, pertencente ao ensino público. Também o curso de Português, na Universidade de Coimbra.

O número de licenciaturas e mestrados integrados que garantem emprego aos recém-diplomados cresceu no ensino privado, embora seja no ensino pública que se concentra a maioria. Enquanto em 2018, havia 16 cursos nas instituições privadas, em 2019 este número subiu para 29, contrastando, ainda assim, com os 39 cursos de instituições públicas (que em 2018 eram 47 desta lista). Grande parte dos cursos com desemprego zero, em 2019, eram licenciaturas (55) - sendo 13 mestrados integrados - e pertenciam a universidades (43) - contra as 24 em institutos politécnicos.

A taxa de desemprego corresponde ao rácio entre o número de recém-diplomados do curso que se encontram registados como desempregados e o número total de recém-diplomados do curso. Por recém-diplomado, esclarece a tutela, "entende-se um estudante diplomado do curso no período de referência 2014/15 - 2017/18" (ano letivo anterior à conclusão dos dados).

A nível nacional, a taxa de desemprego tem diminuído ao longo dos anos. No ano passado, apenas 3,3% dos jovens e adultos que terminaram a sua licenciatura no ensino superior público no ano transato estavam inscritos como desempregados no Instituto do Emprego e Formação Profissional. Ainda assim, a taxa diminuiu apenas 0,1% face a 2018 (3,4%), representando um abrandamento na tendência descendente deste número desde 2015, ano em que a taxa se situava nos 8,1%.

Também relativamente ao ensino superior privado, a descida foi pouco significativa, passando de 4,1% para 3,9%, entre 2018 e 2019. Em 2015, por outro lado, o desemprego destes recém-diplomados situava-se nos 8,8%.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior atualiza, esta sexta-feira, toda a informação no portal InfoCursos, com "dados e estatísticas sobre cursos superiores, proporcionando mais informação e contribuindo para apoiar os estudantes nas escolhas de curso no ensino superior". Neste endereço, pode encontrar informação atualizada sobre 3800 cursos técnicos superiores profissionais (TeSP), licenciaturas, mestrados integrados e de mestrado 2.º ciclo de 109 instituições do país.

A primeira fase de candidaturas ao ensino superior arranca a 7 de agosto e decorrerá até ao dia 23 do mesmo mês. As colocações serão conhecidas a 28 de setembro. A segunda fase de acesso será de 28 de setembro a 9 de outubro, com os resultados divulgados a 15 de outubro. A terceira e última decorrerá entre 22 e 26 de outubro. Estas últimas colocações são comunicadas a 30 de outubro.

Menos abandono e mais alunos estrangeiros

Não só o número estudantes que ingressam no ensino superior tem aumentado, de forma geral, ao longo dos anos, como são cada vez menos aqueles que desistem dos seus cursos. Embora a percentagem de estudantes que já não se encontravam no sistema de ensino superior nacional um ano após iniciarem a sua licenciatura ficasse intacta entre 2017/18 e 2018/19, com 8,8%, e até tivesse aumentado 0,1% entre um ano e outro nos mestrados integrados (3,4%), diminuiu nos restantes ciclos de estudo.

Nos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), por exemplo, passou de 17,4% para 17%. O valor mais alto de abandono foi registado em 2015/16 (ano com dados mais antigos), em que esta percentagem se sitoou nos 28,4%. Já nos mestrados de 2.º ciclo, a queda, pouco significativa, foi de 16,8% para 16,4%, embora já tenha atingido quase os 20% em 2014/15.

Os reingressos, aliás, estão a aumentar no ensino superior. O governo esperava que, este ano letivo que passou, regressassem ás instituições pelo menos 3700 antigos alunos. Uma tendência que o ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, diz dever-se, em parte, ao investimento na ação social, que tem atribuído mais bolsas de estudo aos universitários.

Ao mesmo passo, a quantidade de estudantes que continuavam no mesmo curso um ano após o ingresso no mesmo continua em sentido ascendente em todos os ciclos de estudo, sendo que a vasta maioria dos candidatos entra na sua primeira opção, quer em licenciaturas (43,5%) quer em mestrados integrados (51,8%).

Não só pelos portugueses se constroem as metas da tutela. São cada vez mais os estudantes de nacionalidade estrangeira inscritos nas instituições de ensino superior e o governo pretende intensificar a tendência, dobrando o número até 2023.

Os números veem confirmar a vontade. Entre os anos letivos 2017/18 e 2018/19, nos mestrados de 2.º ciclo e nos CTeSP este aumento foi mais significativo. No primeiro caso, aumentou de 23% para 26,2%. Já nos cursos técnicos, a linha escalou de 5,4% para 8%.

Embora com menos peso, a escalada também foi sentida nas licenciaturas e mestrados integrados. Enquanto nas licenciaturas, o número de estudantes estrangeiros inscritos subiu de 10,8% para 11,9%, nos mestrados integrdos a subida foi de 8,2% para 10,2%.

De acordo com dados enviados ao DN no final do ano passado, este estudantes chegam principalmente de países como Brasil (16 mil), seguido de Angola (quatro mil), Espanha, Cabo Verde e Itália (os últimos com três mil).

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