Embaixada em Itália retirou aviso para portugueses "regressarem rapidamente"

O aviso esteve publicado na página de Facebook da representação portuguesa em Roma: "A Embaixada aconselha os cidadãos portugueses que se encontrem em Itália em estada temporária, incluindo turistas e estudantes em programas de intercâmbio, a regressarem rapidamente a Portugal."

Os portugueses que estejam a trabalhar, estudar ou de férias em Itália devem regressar rapidamente a Portugal dado o "drástico aumento" de casos de covid-19 e o risco de ficarem retidos sem apoio das autoridades locais. Era este o conteúdo de um aviso consular que esteve publicado na página de Facebook da Embaixada de Portugal em Roma, tendo igualmente sido publicado no site oficial, de onde foi retirado entretanto.

"A Itália tem registado um drástico aumento no número de infeções por covid-19, sendo imprevisível a evolução da pandemia no país nos próximos dias", refere a publicação no Facebook na segunda-feira à tarde e eliminada nesta terça-feira durante a tarde.

"Dada a volatilidade do atual contexto e o risco de um súbito regresso ao confinamento generalizado, encerramento de fronteiras e suspensão de voos entre países europeus, a Embaixada aconselha os cidadãos portugueses que se encontrem em Itália em estadia temporária, incluindo turistas e estudantes em programas de intercâmbio, a regressarem rapidamente a Portugal, sob pena de se verem retidos em território italiano, com escassas possibilidades de beneficiarem de apoio por parte das autoridades locais ou nacionais", aponta a embaixada em Roma.

Agora, no site da embaixada, consta apenas um texto publicado no dia 22 de outubro com conselhos aos viajantes. "A Itália tem registado um drástico aumento no número de infeções por covid-19, sendo imprevisível a evolução da pandemia no país nas próximas semanas. As autoridades italianas decretaram o estado de emergência até 31 de Janeiro de 2021", começa por referir.

"Dada a volatilidade do atual contexto e o risco de novas restrições a entradas em Itália ou a deslocações no território italiano, e não sendo de excluir igualmente um súbito regresso a confinamentos locais ou generalizados, com obstáculos à livre circulação em Itália e/ou noutros países europeus vizinhos, deverá ser bem ponderada nesta fase a realização de viagens não essenciais a Itália, incluindo em turismo, não sendo as mesmas aconselhadas", lê-se no aviso, em que não consta qualquer apelo ao regresso dos portugueses a Portugal.

O DN tentou obter esclarecimentos junto da Embaixada de Portugal em Roma, mas até ao momento sem sucesso. Ao Público, o Ministério dos Negócios Estrangeiros indica que "o aviso consular publicado no site da Embaixada em Roma não antecipa nenhuma decisão nacional ou europeia, tendo sido entretanto retirado".

Recorde com 21.994 casos num dia

A Itália tem registado um aumento nas infeções de covid-19. Nesta terça-feira foi batido o recorde de casos detetados em 24 horas, com 21.994 positivos.

Este é o maior número de infeções registadas até agora, embora estejam a ser realizados muitos mais testes do que no início da epidemia, em fevereiro, com 174 mil desde segunda-feira.

No último dia, 221 pessoas perderam a vida por causa do novo coronavírus, um número que não era observado desde meados de maio e que aumenta o total de óbitos em Itália para 37.700.

A situação nos hospitais é particularmente preocupante. Das 255 mil pessoas doentes com covid-19 em Itália, 15.366 estão hospitalizadas (mais 1085 do que segunda-feira) e 1411 requerem cuidados intensivos (mais 127).

De qualquer forma, o diretor de Prevenção do Ministério da Saúde, Gianni Rezza, explicou que apesar da tendência de aumento, a "ocupação das Unidades de Cuidados Intensivos está ainda abaixo do nível de alerta" porque foram reforçadas nos últimos meses.

As regiões mais afetadas continuam a ser a Lombardia, com mais de 5000 novas infeções desde segunda-feira, a maioria na capital Milão, e Campânia, com cerca de 2700 casos.

Com estes dados, a Itália, em estado de emergência até 31 de janeiro de 2021, mantém fechados cinemas, teatros e salas de concertos, a educação à distância tem sido promovida e reduziu os horários de funcionamento de bares e restaurantes até às 18.00.

Estas são algumas das medidas decretadas pelo Governo no último domingo, em vigor até 24 de novembro, e que têm gerado protestos nos setores da cultura e da restauração.

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