DGS desconhece pedido do Benfica para ter adeptos no estádio

A diretora-geral da Saúde disse esta sexta-feira desconhecer qualquer pedido do Benfica para ter adeptos no estádio para o jogo deste sábado com o Moreirense. E a ministra da Saúde garantiu que o arranque do ano letivo "está a ser bastante pacifico" no número de casos e surtos.

No briefing diário sobre sobre a situação da pandemia em Portugal, Graça Freitas afirmou que não deu entrada na Direção -Geral da Saúde qualquer pedido do Benfica para ter adeptos no jogo de sábado com o Moreirense. E mesmo o pedido do Vitória de Guimarães para que sejam sorteados 40 adeptos para assistir o jogo com o Belenenses foi feito às autoridades de saúde locais, no casos a Administração Regional do Norte. Sabe-se, entretanto, que o pedido foi "chumbado".

A TSF tinha noticiado que o Benfica iria convidar 20 sócios do clube a regressar à tribuna presidencial do Estádio da Luz este fim de semana. Mas a diretora-geral da Saúde diz desconhecer a intenção do clube.

Neste dia, em que houve mais 899 casos de infeção por covid-19 e cinco mortes, a ministra da Saúde, também presente na conferência de imprensa, garantiu que o arranque do ano letivo "está a ser pacífico" tanto do ponto de vista de casos e de surtos. Mas foi Graça Freitas quem explicou a diferença de critérios entre estabelecimentos de ensino perante os casos de infeção detetados.

"Apesar de todas as indicações dadas às escolas, creches e infantários há umas que se prepararam muito bem e outras que o fizeram não tão bem", disse a diretora-geral de Saúde. Neste sentido, as autoridades de saúde avaliam perante cada caso, "se os meninos estão numa bolha, se usam máscara", para determinar o número de pessoas a mandar para casa.

Coube a Marta Temido dar conta dos números gerais da pandemia, segundo os dados do boletim epidemiológico da DGS. Além dos novos 899 casos e cinco mortes, o número de internamentos continua a aumentar. São agora 624 os doentes hospitalizados (mais 36 do que no dia anterior), dos quais 86 estão em unidades de cuidados intensivos (mais um).

Há mais 327 pessoas recuperadas da doença, num total de 47.003, e 23.116 casos ativos (mais 567 do que na quinta-feira).

Dos novos casos reportados, 505 foram registados em Lisboa e Vale do Tejo, o que representa 56% do total nacional. A região Norte confirmou mais 263 novos casos, o Centro tem mais 52, o Algarve mais 47 e o Alentejo mais 30. Registaram-se dois novos casos nos Açores e na Madeira não se verificam novos diagnósticos de covid-19.

O boletim da DGS indica que as mortes que ocorreram nas últimas 24 horas ocorreram em Lisboa e Vale do Tejo (três), no Centro (um) e no Norte (um). Uma das vítimas mortais tinha 78 anos, os restantes tinham mais de 80 anos, informou a ministra da Saúde, Marta Temido, durante a conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia em Portugal. A taxa de letalidade é de 2,7% e acima dos 70 anos é de 13,8%.

A ministra afirmou que há 287 surtos ativos em Portugal, com o Norte a ser mais penalizado e com o foco em restaurantes e turismo.

No que se refere aos lares, "uma situação muito complexa", há 76 residências com utentes infetados, sendo que atualmente existem 47 surtos ativos em todo o país. Em abril, eram 365 os lares de idosos com casos ativos, acrescentou a responsável pela pasta da Saúde.

"Portugal vive uma terceira fase na pandemia"

Marta Temido mostrou-se otimista em dois planos. No facto do valor médio do Risco de Transmissibilidade (RT), de 16 a 20 de setembro, situa-se nos 1,09. "Está a baixar um pouco", disse. E sobre a projeção do estudo de cientistas americanos que apontam um novo pico de pandemia em Portugal para meados de outubro. A ministra frisou que já houve três períodos: "estamos a enfrentar uma terceira fase no terreno: primeira em março/abril, segunda em junho e julho em Lisboa e Vale do Tejo e agora nova situação de aumento da incidência, que acompanha panorama da maioria dos países da Europa". em que se pode ter dado o número máximo de casos. Garantiu, no entanto, que o Serviço Nacional de Saúde, embora "cansado", está a preparar-se para um maior número de casos. "Estamos hoje melhor preparados".

Foi ainda abordado neste briefing o que está a ser feito no país no que diz respeito aos testes, pela voz de Raquel Guiomar, do Instituto Ricardo Jorge. Segundo a especialista, continua a verificar-se uma "evolução" na capacidade de resposta, com uma média de 18238 testes ao covid-19 até setembro. Raquel Guiomar frisou que está a ser avaliada a nova geração de testes rápidos em ambiente hospitalar.

Graça Freitas foi ainda questionada pelos jornalistas sobre o plano nacional de vacinação contra a gripe, que começa próxima segunda-feira. A líder da DGS assegurou que nesta primeira fase estão já garantidos 335 mil doses para serem administradas nos centros de saúde e para a equipas que se desloquem aos lares ou ao domicílio.

Na segunda fase, serão vacinadas as grávidas e pessoas com mais de 65 anos, que frisou Graça Freitas, "são grupo mais importante", e pessoas com mais de seis anos com patologia grave. E prevendo que o SNS irá ter "um outono de grande pressão" vão ser diversificadas as horas e os pontos de vacinação.

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