DGS cede e passa a disponibilizar dados de doentes para investigação

Todas as semanas, a Direção-Geral da Saúde vai atualizar o perfil de cada um dos infetados pelo novo coronavírus, em Portugal, e disponibilizá-lo - sem identificar os doentes - aos investigadores interessados.

Os doentes estão protegidos pelo anonimato. São histórias clínicas sem nomes atribuídos, que podem ser consultados pela comunidade cientifica, mediante um pedido de autorização. Os dados estarão disponíveis no portal da Direção-Geral da Saúde (DGS) dedicado à covid-19, a partir deste sábado, depois da pressão exercida pelos investigadores para obter estas informações.

"Os dados são anonimizados e correspondem aos casos confirmados de COVID-19 notificados através do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE), componente médica. Os dados são atualizados retrospetivamente com uma periodicidade semanal", informa a DGS no seu site.

A divulgação destas informações foi solicitada pela comunidade cientifica, desde o início da pandemia e justificada com o contributo de possíveis respostas sobre o vírus SARS-CoV-2. "Ter acesso a esta informação é fundamental para podermos caracterizar melhor o quadro em que estamos a viver, mas também para conseguirmos desenvolver novos projetos de investigação que possam melhorar a nossa capacidade de enfrentar esta pandemia", explicou, ao DN, o médico Fausto Pinto, presidente do Conselho de Escolas Médicas Portuguesas.

Segundo a ministra da Saúde, a informação já estava a ser distribuída a quem a solicitasse. No entanto, até ontem, muitos investigadores repetiam o pedido. Numa carta aberta, divulgada esta quinta-feira, pela Associação Portuguesa de Ciência de Dados para o Bem Social e assinada por várias instituições ligadas à saúde, como a Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, insistia-se nas "más práticas de partilha de dados".

O acesso às informações da covid-19 em Portugal são agora consultáveis diretamente na página da DGS mediante autorização, assegurou a responsável pela pasta da Saúde, Marta Temido, durante a conferência de imprensa diária, este sábado, onde é feito o balanço da situação pandémica portuguesa. O país tem agora 15 987 pessoas infetadas com o novo coronavírus (mais 515 que ontem) e regista 470 mortes no total (aumentaram 35 nas últimas 24 horas), segundo o boletim da DGS.

"Numa hiperligação que está disponível [no site], encontra-se a descrição de variáveis disponíveis num ficheiro de acesso a metadados", explicou Marta Temido. "Para que todos sejamos agentes de saúde pública, ninguém pode abdicar de um enorme esforço de comunicação e essa comunicação tem de ser totalmente responsável", acrescentou a ministra da Saúde, sem deixar de dizer que a "proteção de dados e a ética na investigação têm, obviamente, de ser garantidas".

A base de dados inclui informação sobre doenças anteriores dos infetados, idades, sexo, a zona de residência, e o seu percurso clínico relacionado com o surto do novo coronavírus, como por exemplo, se esteve hospitalizado nos cuidados intensivos. Depois de se identificarem e formalizarem o pedido, os investigadores deverão receber os dados pedidos "num período máximo de 72 horas".

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