DGS: "Ainda não podemos dizer se estamos numa segunda vaga"

Nas últimas 24 horas foram registados 613 novos casos e quatro mortes por covid-19. Apenas 10% dos novos infetados têm mais de 70 anos.

O número de novas infeções com covid-19 tem vindo a aumentar nos últimos dias em Portugal, mas isso não quer dizer que estamos já numa segunda vaga da pandemia, afirmou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, nesta segunda-feira, na conferência de imprensa da DGS. "É notório que estamos a ter um aumento do número de casos, mas em Portugal nunca estivemos num patamar de ausência de casos", lembrou a diretora-geral, afirmando que "ainda não podemos dizer se estamos numa segunda vaga ou não": "É a primeira vez que estamos a lidar com este vírus, por isso só daqui a uns dias é que perceberemos se esta tendência se mantém."

Nas últimas 24 horas foram registados 613 novos casos de covid-19 e mais quatro mortes em Portugal. No entanto, apesar de sublinhar que "todas os óbitos são de lamentar", Graça Freitas admite que, para já, "este número não suscita preocupações acrescidas".

Para isso contribui o facto de o número de novas infeções em pessoas acima dos 70 anos "ter sido relativamente baixo" - e é nessa faixa, e sobretudo na faixa acima dos 80 anos, que se verifica a maior mortalidade do vírus. "Temos mais infeções em adultos relativamente jovens e saudáveis", o que significa que "estamos a conseguir proteger os mais vulneráveis". "Este padrão não faz prever um aumento da mortalidade", afirma Graça Freitas.

"Estamos numa nova fase da pandemia. Dos 613 casos registados neste domingo, apenas 10% dos infetados têm mais de 70 anos. Novas infeções são sobretudo entre os 20 e os 49 anos. Temos conseguido preservar a saúde dos mais vulneráveis mas, por outro lado, põe-se a questão dos comportamentos individuais", realçou também o secretário de Estado da Saúde. "O Serviço Nacional de Saúde somos todos nós", disse António Lacerda Sales.

Graça Freitas voltou, por isso, a apelar para a importância de todos cumprirem as regras, sobretudo agora que vamos entrar num novo estado de contingência: "Há comportamentos e precauções que todos temos de tomar para minimizar o risco."

Mais infeções mas sem pressão nos hospitais

Desde que a pandemia começou, registaram-se 64 596 infetados, 44 185 recuperados (mais 116) e​ 1871 vítimas mortais no país.

Lisboa e Vale do Tejo é a região que contabiliza mais novos casos e a que lidera no valor total de infeções: são 33 070 (mais 338 do que ontem). Além desta, os concelhos de Guimarães e Vila Nova de Gaia "são as zonas do país mais afetadas, aquelas com maior proporção de casos por cem mil habitantes", disse Graça Freitas.

Neste momento, há 477 doentes internados com covid-19 (mais 25 do que ontem) e 61 internados (+4) em unidades de cuidados intensivos (UCI).

"Em 21 500 camas, temos pouco mais de 400 internamentos com covid-19", sublinhou Lacerda Sales, lembrando ainda que a taxa de ocupação das UCI é atualmente de 65%, "e destes só 18% correspondem a ocupação covid". "Em função destes números, não acho que se possa falar sequer em pressão" do SNS neste momento, disse o governante.

Além disso, desde o início da pandemia, em março passado, foram contratados "mais de 4700 profissionais de saúde para o combate à pandemia", adiantou o secretário de Estado da Saúde, recordando ainda que abriram concursos para 511 vagas de especialistas hospitalares e 435 vagas para medicina geral e familiar.

A testagem continua a ser essencial na prevenção do contágio, afirma o secretário de Estado. Neste momento, a rede de laboratórios que realizam testes covid-19 integra 102 laboratórios, dos quais 42 pertencem ao Serviço Nacional de Saúde.

Sexta-feira passada foi o dia em que se realizaram mais testes, mais de 21 700. Em toda a semana passada a média de testes realizados foi de 17 500 por dia, a média mais elevada desde o início da pandemia, havendo três dias com mais de 20 mil testes realizados.

Igreja não previu enchente de 13 de setembro

"A Igreja Católica tem um histórico de comportamento exemplar e diálogo constante com as autoridades de saúde", ressalvou Lacerda Sales, comentando a enchente verificada no Santuário Fátima no domingo passado, 13 de setembro. O governante acredita que o que se passou surpreendeu a Igreja: "A instituição não estaria à espera de tantas pessoas, porque não era habitual em anos anteriores, e quando se apercebeu fechou as entradas."

"O que acho importante é que no próximo dia 13 de outubro a instituição esteja devidamente prevenida e programará esse dia garantindo a segurança da comunidade", afirma Lacerda Sales. Já chegou um pedido de reunião por parte da Igreja Católica", revelou o secretário de Estado. "Reunir-nos-emos o mais depressa possível."

"É uma aprendizagem que fazemos todos os dias", concluiu.

Desporto e escolas: o regresso à "normalidade possível"

Quanto às atividades desportivas, os responsáveis garantem que tudo está a ser feito para um "regresso à normalidade possível das modalidades desportivas", incluindo o futebol. As autoridades de saúde estão a trabalhar com as várias entidades desportivas e as decisões serão tomadas caso a caso, à medida que for necessário: "Com certeza que encontraremos soluções, soluções diferentes para problemas diferentes", disse.

Também a diretora-geral da Saúde sublinhou que "não há número de casos a partir do qual sejam tomadas decisões", por exemplo, de cancelamento de jogos ou de suspensão de equipas. "Há uma avaliação do risco caso a caso."

O mesmo acontece com as escolas onde se devem cumprir as regras e as "boas práticas", "desde que não se ponha em causa a saúde pública".

Finalmente, instada a comentar as declarações de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da Organização Mundial da Saúde, que alertou para os perigos do "cumprimento com o cotovelo", Graça Freitas desvalorizou o risco, explicando que se trata de "um cumprimento muito rápido, muito fugaz e de baixo risco, até pela lateralidade que envolve".

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