"Contacto com amigos ou família alargada pode ser um risco tão grande como o contacto com estranhos"

Com o número de novos casos a aumentar sobretudo entre os 20 e os 59 anos, Graça Freitas chama a atenção para o facto de também nestas idades as pessoas poderem ficar doentes, apesar da baixa taxa de letalidade. O crescimento de casos no norte do país estará ligado a convívios alargados de familiares ou amigos, para os quais a diretora-geral da Saúde pede contenção e responsabilidade.

Depois de apresentar os números relativos à pandemia de covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, deu conta da nova estratégia nacional de testes para o SARS-Cov-2, que entrará em vigor a partir de 9 de novembro e que tem como grandes novidades a introdução dos testes rápidos antigénio, que se destinam a pessoas sintomáticas, nos primeiros cinco dias de sintomas, em pessoas assintomáticas, em caso de surto, e no rastreio periódico de profissionais de saúde em contexto de maior risco de exposição.

No caso de ser negativo, quando há forte suspeita de infeção, não dispensa da realização de teste PCR.

"A vantagem", afirmou a diretora-geral da Saúde, "é a rapidez que permitem na tomada de medidas de saúde pública e controlo da propagação da doença", agora que a evolução do conhecimento científico demonstrou a sensibilidade e a segurança destes testes nos primeiros cinco dias de sintomas.

Questionada sobre a polémica que este fim de semana se gerou em torno do Grande Prémio de Fórmula 1 no Algarve, Graça Freitas explicou os pressupostos que levaram à autorização do evento, acabando por reconhecer que houve alguma discrepância entre as recomendações e a capacidade de fiscalizar.

"A DGS faz recomendações, cabe aos cidadãos cumprir." "Houve coisas que correram bem, outras que correram menos bem, mas não foi catastrófico", disse, avisando que se está sempre a "aprender com os erros". "Lições aprendidas para o futuro: restringir os eventos ou limitar a lotação. Há uma corresponsabilidade que é nossa, dos cidadãos, da organização e da DGS."

"Fadiga pandémica"

Fugindo a comentar a manifestação deste fim de semana contra o uso obrigatório de máscaras ou o grupo Médicos pela Verdade, a diretora-geral da Saúde, considera normal este tipo de movimentações, que "fazem parte da dinâmica social de uma pandemia e são o reflexo da chamada fadiga pandémica, que leva ao surgimento de opiniões diversas".

O que poderá também dever-se a esta fadiga pandémica é uma maior movimentação de pessoas e convívios sociais e familiares fora do núcleo mais restrito, que poderão, na perspetiva de Graça Freitas, até por razões culturais, estar a acontecer mais a norte do país, favorecendo um aumento exponencial das novas infeções naquela região, que hoje teve mais do triplo dos novos casos do que Lisboa e vale do Tejo.

"Quanto menos contactos, melhor. É preciso que as pessoas percebam que o contacto com os amigos ou a família alargada pode representar um risco tão grande como o contacto com estranhos", alertou.

Quanto ao atual perfil dos doentes, a diretora-geral da Saúde adiantou que a grande maioria dos casos na semana passada se situava entre os 20 e os 59 anos, o que não se verificou na primeira vaga. "A taxa de letalidade é baixa nestas idades, mas os mais novos também podem ter sintomas e sentir-se doentes", referiu.

Quanto à morte, neste domingo, de um homem entre os 20 e os 29 anos, esclareceu que era uma pessoa que "tinha morbilidade já na origem que levou a este desfecho, que lamentamos".

Os mapas de risco são importantes para ajustar medidas

Os chamados mapas de risco, que são definidos analisando a combinação da taxa de incidência acumulada a 14 dias e a taxa de crescimento da infeção a sete dias, além de outros fatores sociodemográficos, como a densidade populacional, a mobilidade de pessoas e o envelhecimento ou não da população, são um elemento fundamental para a análise da situação em cada momento e em cada região e orientar as medidas do governo e das autoridades de saúde locais, autarquias e proteção civil, quer a nível nacional quer a nível local, explicou Graça Freitas.

"Medidas como o recolher obrigatório só podem ser tomadas tendo em consideração todos estes fatores."

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