ARS de Lisboa e hospitais privados sem acordo para tratar doentes covid-19

Para o presidente da ARS, Luís Pisco, nenhum privado tem disponibilidade para receber "algumas dezenas" de doentes covid-19. Os hospitais privados dizem que precisam dar resposta à sua atividade não-covid, mas dizem estar disponíveis para uma solução planeada e não avulsa.

A Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa diz que nenhum hospital privado da região dispõe atualmente de capacidade para receber "algumas dezenas de doentes covid". Luís Pisco, presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, afirma que nenhum hospital privado mostrou disponibilidade, mas a associação que representa o setor não confirma esta afirmação, e adianta que espera ainda receber um plano sobre como a transferência de doentes pode ser concretizada.

O presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo afirmou esta quarta-feira que eram necessárias "20 a 30 camas" numa unidade de saúde. "Face ao que é a programação que o setor privado tem neste momento, ninguém tinha disponíveis camas para esse efeito", disse, em declarações à TSF.

Mas a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada não confirma a indisponibilidade para receber doentes covid-19 de hospitais públicos na região de Lisboa. Numa resposta escrita enviada à TSF, a associação afirma que, na primeira reunião formal, esta quarta-feira, ficou estabelecido que a ARS vai elaborar um plano com as necessidades e termos em que os privados podem colaborar com os hospitais públicos.

"Todos referiram que não tinham possibilidade de aceitar doentes com covid-19", afirmou Luís Pisco ao Jornal de Notícias. Terão apontado que precisam dar resposta à sua atividade programada não-covid. O presidente da ARS admitiu que os privados mostraram disponibilidade para repensar a posição, se a pandemia se agravar muito.

No Norte já existe um hospital privado a receber doentes covid-19, após um acordo definido com a ARS Norte. Trata-se do Hospital da Universidade Fernando Pessoa, em Gondomar, que recebeu já um grupo de doentes transferido do hospital do SNS, o Hospital Padre Américo, em Penafiel. Este hospital de Gondomar é gerido por uma fundação e, não sendo uma empresa, não faz parte da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada.

Em Lisboa, o acordo parece contudo mais complicado. Luís Pisco admitiu, em declarações à SIC, que a situação possa mudar, mas, de momento e com esta falta de acolhimento do privado, resta à ARS de Lisboa e Vale do Tejo recorrer ao Ministério da Defesa e a camas que são usadas no Hospital das Forças Armadas, no Centro Militar de Belém ou na Base Naval do Alfeite, preparadas para receber pessoas em recuperação, de acordo com informações avançadas pelo dirigente à TSF.

"Neste momento, os nossos hospitais têm capacidade e temos algumas estruturas de retaguarda que também têm capacidade e, portanto, não se põe ainda nenhuma necessidade. Estamos ainda longe dessa situação", assegura Luís Pisco.

Para já, o presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo não negociou com os privados a hipótese de receberem doentes não-covid, dado que o objetivo é usar toda a capacidade do SNS antes de recorrer a essa hipótese.

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