Rio adia eleições em vez de as tentar ganhar

Tenho dito que não há alternativa a Rui Rio, porque Passos Coelho, a mais bem colocada, seria ainda pior. Mas as posições do actual líder do PSD, em relação às presidenciais e autárquicas, procurando adiá-las, levam-me a afirmar que os sociais-democratas devem mudar de liderança.

Que confiança pode inspirar nos militantes um líder partidário, como é o caso de Rui Rio, que em vez de tentar ganhar eleições, pretende o seu adiamento? Nenhuma!

Nas presidenciais, vá lá que não vá, os números da pandemia eram preocupantes e poderia haver um pretexto para as adiar, embora, creio, só na cabeça de Rui Rio.

Mas nas autárquicas, a realizar em Outubro, quando, muito provavelmente, os efeitos perversos da Covid-19 já não se fazem sentir, não se vislumbra nenhuma razão plausível para o adiamento. A não ser A Golpada, citando Ribeiro e Castro no DN, mas desta vez de Rui Rio.

O comportamento do líder do PSD em relação aos actos eleitorais, ou melhor, o seu chico-espertismo ou esperteza saloia, como queiram, é bem revelador da falta de classe, de nível, da nossa classe política, como venho afirmando.

É feio, muito feio mesmo, tentar adiar eleições, sabendo que se vai perdê-las. É uma deserção inaceitável, que, noutro país qualquer, que não no nosso nacional-porreirismo, seria motivo para rolar cabeças, como, aliás, defendo.

Será que Rui Rio vai também tentar adiar as legislativas de 2023, se lá chegar, claro? Não ir a jogo é indigno dos pergaminhos de um partido como o PSD e só serve para acelerar o seu declínio.

É evidente que as autárquicas em Lisboa vão ser um passeio para Fernando Medina. Daí as dificuldades da direita em arranjar candidatos. E a nível nacional, se o país é rosa, não estou a vê-lo também virar laranja.

A nossa direita, para mais com os dirigentes que tem, parece condenada a longa travessia do deserto. A mexicanização do país não é hipótese a excluir. O PS tem vantagem confortável nas sondagens, que, nas presidenciais, funcionaram em pleno, o que só desmente os que duvidam da sua credibilidade.

O nosso povo, muito apreciado lá fora, aliás, nomeadamente em França, é um grande povo, como ficou demonstrado, se fosse preciso, mas últimas presidenciais. As élites, como a de Rui Rio, é que não estão à altura do povo trabalhador. Só resta ao PSD mudar de líder. Com o actual, não irá longe.

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