Os doze trabalhos de Rio

Perseguido como Hércules, Rio ganhou, pela terceira vez, as eleições diretas. Não terá ganho, ainda, o partido, mas é claro para todos os militantes que é ele que o PSD, no seu todo, quer para os próximos dois anos.

Os eleitores com quotas em dia e disponibilidade para ir votar, disseram com clareza que o partido deve estar disponível para entendimentos com o PS, deve posicionar-se ao centro e que Rio é melhor candidato a PM que Rangel.

Posto isto, quais são os doze trabalhos de Rio?

1. Evitar purgas internas, próprias de outros partidos, aceitar a democracia e não hostilizar quem preferia outro caminho.

2. Construir a unidade - e não a união, que o PSD nunca terá, com este ou com qualquer outro líder, sobretudo se não for PM - e muito menos a unicidade, ao estilo de "quem não está comigo está contra mim".

3. Recuperar as ligações com o aparelho do partido, que esteve em grande parte com Rangel. Sem esquecer que, esse aparelho, constituído por secções, concelhias e distritais, também é composto por militantes eleitos - como Rio - de forma direta, livre e universal.

4. Não dividir os militantes entre os "livres", que são os bons, e os do "aparelho", que são "os maus". Rio é presidente do Partido, logo é presidente de todos os militantes, sejam os do "voto livre" ou os dos "sindicatos de voto".

5. Fazer um Congresso em que as listas para os órgãos dirigentes representem as várias sensibilidades, correntes de pensamento e visões para a sociedade. Se Rio se fechar apenas nos seus apoiantes, será o presidente de uma parte dos militantes e não de todos eles.

6. Elaborar as listas de deputados tendo as conta as várias sensibilidades regionais, as escolhas locais e distritais, a diversidade de opiniões e a qualidade dos candidatos.

7. Perceber que o PSD precisa, querendo voltar ao Governo, de rostos e currículos de muitos dos que, na eleição de sábado, defenderam outra escolha.

8. Apresentar um programa eleitoral que responda de forma clara aos desafios do país e que seja a base de um programa de Governo. E que permita aos eleitores perceberem bem o que separa "o centro" que Rio reclama e o "centro esquerda" que o PS representa. Convencer os portugueses que é de facto uma alternativa a Costa e não apenas uma oposição responsável e com sentido de estado.

9. Deixar claro, sem tibiezas, o que fará no dia seguinte às eleições, em função dos resultados. E quais são as linhas vermelhas que traça, nomeadamente em relação a possíveis coligações ou entendimentos parlamentares.

10. Olhar para as sondagens. As sondagens não são eleições nem se substituem ao voto. São indicações, revelam tendências e dão pistas sobre o comportamento do eleitorado em cada momento. E ser coerente. Não se deve diabolizar sondagens quando mostram uma realidade de que não gostamos, e replicar as mesmas sondagens - como Rio fez na campanha interna - quando são "favoráveis".

11. Fazer uma campanha eleitoral tão enérgica e vigorosa como a que fez para as diretas.

12. Continuar "picado". Parece resultar.


Jornalista

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