"Um por todos, todos contra o Bullying"

Assinalou-se esta semana o Dia Mundial de Combate ao Bullying, porque é de um verdadeiro combate que precisamos. Um combate no sentido de uma intervenção célere e concertada envolvendo toda a comunidade, mas acima de tudo um combate que promova a prevenção primária deste tipo de violência.

O bullying é um conjunto de comportamentos agressivos, humilhantes e de exclusão, efectuados de forma repetida e intencional, que implicam sempre uma assimetria de poder: as crianças agressoras usam o seu poder (por exemplo, força física ou psicológica, estatuto ou acesso a informação constrangedora) para tentar controlar e prejudicar outras crianças.

Tanto os rapazes como as raparigas podem ser agressoras ou vítimas de bullying, que pode envolver comportamentos tão diversos como ameaçar, espalhar boatos, excluir deliberadamente alguém do grupo, agredir verbal ou fisicamente.

Embora se associe habitualmente o bullying ao contexto escolar, a verdade é que este pode acontecer em variadíssimos contextos, desde os transportes de e para a escola, no desporto ou em ateliers de tempos livres e, ainda, on-line, em grupos de conversação ou nas redes sociais.

Sabemos também que as vítimas sentem medo, vergonha e culpa e, por isso, não pedem ajuda, o que apenas contribui para que o bullying se mantenha. Os agressores, por sua vez, sentem necessidade de poder e agem sem pensar nos sentimentos e direitos dos outros.

Na identificação e sinalização destas situações, os amigos e os colegas têm um papel muito importante. Pois são eles que, muitas vezes acabam por presenciar situações de bullying mas nada fazem, com medo de serem as próximas vítimas.

Como pais e adultos, o que devemos fazer para combater o bullying?

Estarmos atentos a alguns sinais de alerta que, não sendo exclusivos deste tipo de violência, podem indicar que alguma coisa se passa. Por exemplo, as crianças podem manifestar alterações emocionais, no comportamento alimentar ou nos padrões de sono. Podem ainda apresentar alterações físicas, como dores de cabeça ou de barriga, dores difusas, vómitos ou cansaço persistente, sem que haja qualquer causa orgânica que o justifique. Na escola, revelam muitas vezes dificuldades de atenção e concentração, com um impacto negativo no seu rendimento académico. Também o isolamento e comportamentos de evitamento (evitar contextos onde estão os colegas, como uma festa de aniversário, uma visita de estudo ou o transporte escolar) são sinais de alerta importantes. Temos ainda de estar atentos ao aparecimento de nódoas negras ou feridas sem uma explicação coerente, aos materiais escolares que aparecem estragados ou «desaparecem», a pedidos extra de dinheiro ou a faltas injustificadas às primeiras ou últimas aulas do dia (como forma de evitar o trajeto casa-escola ou vice-versa na companhia de determinados colegas).

Os pais devem envolver-se activamente na vida escolar dos seus filhos e encorajá-los a partilhar as suas vivências e a expressar o que sentem. Devem mostrar compreensão e, em conjunto, encontrar soluções para as situações mais difíceis. Devem ainda incentivar os filhos a denunciar eventuais situações que tenham observado e ser elogiados pela coragem ao fazê-lo.

Os professores desempenham também um papel fundamental. Devem estar especialmente atentos às relações que se estabelecem entre as crianças, agir de imediato perante uma potencial situação de bullying e falar com os alunos em questão sobre como se sentem, tentando perceber as causas da situação. Depois, desenvolver estratégias positivas e que envolvam toda a comunidade escolar.

Para ajudar neste combate ao bullying nasceu o mais recente livro da coleção "Vamos Prevenir», um projecto em parceria com a Ordem dos Psicólogos Portugueses. «Um por todos e todos contra o bullying - prevenção da violência em idade escolar1" conta-nos a história de Yun, um menino de 9 anos que é vítima de gozo e discriminação, violência física e verbal. Com a ajuda dos amigos, do professor, dos pais e do psicólogo da escola, a situação é resolvida e também o agressor é ajudado. Porque punir e suspender o aluno agressor, por si só, nada resolve. No final, a escola envolve toda a comunidade e representam uma peça de teatro dedicada à prevenção da violência em idade escolar. Querem saber o que aconteceu? Convido-vos a ler esta história!

1) Agulhas, R. & Amorim, S. (2020). Um por todos e todos contra o bullying - prevenção da violência em idade escolar. Lisboa: Ideias com História.

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