Quem disse que os adolescentes andam a dormir?

Pensamos muitas vezes no adolescentes de hoje como sendo desinteressados, pouco autónomos e alheados daquilo que se passa à sua volta. Como se fossem um pouco zombies, de cara enfiada nos telemóveis e nas redes sociais, a contarem os likes e os seguidores, totalmente imersos nesse mundo virtual. Gostamos também de os comparar com os adolescentes de antigamente, aqueles do nosso tempo. Melhor dizendo, connosco próprios, há algumas décadas atrás. Mas será que assim é?

Os adolescentes podem parecer estar desinteressados de algumas coisas, mas na realidade não estão. Vejamos, por exemplo, as recentes eleições norte americanas. Muitos adolescentes portugueses acompanharam de perto esse processo que, como sabemos, durou dias a fio, ansiosos e expectantes pelo resultado final. E essa expectativa relaciona-se com o facto de compreenderem o impacto gigante destas eleições na política americana e mundial. No final de contas, o impacto destes resultados na sua vida quotidiana e na vida de milhões de pessoas.
Pensemos agora no ambiente. Quem, mais ainda do que muitos de nós, se tem mobilizado de forma activa na defesa do planeta? Quem obriga os pais a reciclar e critica alguns hábitos menos saudáveis? Os adolescentes, pois claro.

Na escola, e apesar do contexto adverso e totalmente imprevisível em que temos vivido, tentam encontrar ferramentas para melhor lidar com tantos desafios. Usam a máscara e adoptam medidas de segurança de forma muito mais correcta e continuada do que muitos adultos. Mestres no domínio das diversas tecnologias, têm sabido gerir a distância física mantendo, ainda assim, a proximidade social e afectiva.

E o que dizer das dinâmicas familiares? Os adolescentes parecem muitas vezes distantes, passando grande parte do tempo a ver séries de phones enfiados nos ouvidos... mas a verdade é que estão muito atentos. Relatam-nos de forma detalhada as conversas que ouvem, as discussões que testemunham (sim, aquelas que os pais juram a pés juntos que ocorreram à porta fechada e em voz baixa), aquilo que observam e as conclusões que daí retiram.

Contrariamente à ideia de que os nossos adolescentes são imaturos, irresponsáveis e supérfluos, estes dão provas diárias exactamente do contrário. Tantas e tantas vezes, apresentam mesmo maior maturidade e discernimento do que os adultos. Possamos nós aprender alguma coisa com eles...

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