Gerir o medo no regresso à escola

O início do ano letivo está à porta e muitas famílias sentem já um aumento de stresse associado ao medo de contágio. Será que os seus filhos estarão realmente seguros na escola? E caso sejam contaminados, não corremos todos nós, aqui em casa, o risco de também o sermos? Como lidar com este receio, tão legítimo e, ao mesmo tempo, ajudar as crianças a sentirem-se seguras e confiantes?

Em primeiro lugar, é importante salientar que o medo é uma emoção que nos protege e ajuda a enfrentar situações adversas. É bom sentirmos algum medo, desde que este nos mobilize e ajude a adotar estratégias de proteção. O problema surge quando o medo se torna muito intenso, frequente ou desproporcionado face às exigências das situações. Pode bloquear-nos e conduzir a comportamentos de fuga e evitamento, evoluindo para reações fóbicas que deixam de ser adaptativas.

Não podemos fazer de conta que não se passou nada e que este ano letivo irá iniciar-se como todos os outros. É diferente, sabemos que existem mais crianças ansiosas e com medo e que estas emoções podem muito facilmente inibir o processo de aprendizagem e de convivência com os seus pares.

As crianças mais novas, com menos recursos cognitivos e emocionais para gerir situações de stresse, podem revelar especiais dificuldades em ajustar-se a esta nova fase. Depois de meses e meses em casa, o que potencia sentimentos de proteção, podem agora experienciar mais ansiedade e sentir-se mais vulneráveis.

Não podemos fazer de conta que não se passou nada e que este ano letivo irá iniciar-se como todos os outros. É diferente, sabemos que existem mais crianças ansiosas e com medo e que estas emoções podem muito facilmente inibir o processo de aprendizagem e de convivência com os seus pares. Muitas crianças podem apresentar comportamentos obsessivos de lavagem das mãos ou de isolamento, recusando-se a interagir, ainda que à distância.

As crianças precisam que, quer os pais, quer os professores e os demais atores da comunidade escolar, estejam conscientes destas possíveis dificuldades e encontrem estratégias adequadas para as ajudar a gerir a ansiedade e o stresse.

Antes de mais, é importante não esquecer que os adultos de referência são os principais modelos das crianças, pelo que pais ou cuidadores muito ansiosos e dominados pelo medo irão transmitir intranquilidade e insegurança à criança. O que fazer, então? E o que não fazer?

Fale do regresso à escola de uma forma positiva, como um desafio e não como uma ameaça ou um perigo.

Saliente os aspetos positivos do regresso à escola - reencontrar as pessoas de quem gosta, fazer novos amigos, aprender coisas diferentes.

Diga de forma clara que todos os adultos estão conscientes dos riscos que existem e que tudo farão para tornar a escola num local onde possam aprender, brincar e conviver em segurança.

Relembre as regras de segurança de uma forma tranquila. Se a caminho da escola lhe disser 30 vezes que tem de lavar as mãos e usar a máscara isso apenas vai potenciar um aumento de ansiedade. As crianças já conhecem estas regras de cor e salteado e terão ao seu lado adultos que irão assegurar o seu cumprimento.

No regresso a casa, evite bombardear a criança com perguntas sobre como correu o dia e de que forma foram (ou não) cumpridas as regras de segurança. Já sabemos que os interrogatórios não dão bons frutos, pelo que é preferível abordar o tema de uma forma descontraída e indireta.

Mostre-se disponível para escutar o seu filho e eventuais preocupações que tenha.

Se o sentir muito ansioso, ajude-o a relaxar através de algumas técnicas simples. Controlar a respiração, fazer uma massagem com bolas de algodão, tomar um banho morno... veja aqui algumas sugestões muito simples para ajudar o seu filho de uma forma lúdica!

Aprender a regular as emoções e a combater o medo revela-se fundamental para a saúde psicológica da criança. Será uma criança mais disponível para as aprendizagens, com um padrão de relacionamento mais saudável e ainda mais preparada para lidar com os imprevistos e os desafios que a vida coloca. Porque a vida é feita disto mesmo.

Acompanhem-me no meu canal de Youtube com vídeos dirigidos a crianças e jovens, às famílias e aos profissionais. Espero por todos!

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