Como gerir as emoções no divórcio?

Chegámos a setembro e, tal como tem acontecido nos últimos anos, o período pós-férias (e este ano, também, pós-confinamento) traz consigo muitas decisões de separação/divórcio. Esta é uma realidade que, infelizmente, já não nos espanta.

O processo de tomada de decisão pode demorar meses ou anos, período de tempo durante o qual um (ou ambos) os elementos do casal equacionam esta hipótese, ainda que de uma forma individual. Numerosos motivos podem conduzir ao adiamento sucessivo da decisão, desde os filhos às questões económicas, passando ainda por fatores associados com a desejabilidade social ou a dependência emocional. Numa fase posterior, partilham já entre si esta possível solução e segue-se a revelação da situação aos amigos, familiares mais próximos e filhos, num caminho tantas vezes sem retorno.

A separação/divórcio, mesmo quando desejados, podem ser vistos como uma cascata de mudanças potencialmente stressantes, na medida em que obrigam a uma alteração de papeis e a uma reorganização das dinâmicas familiares e da rede social. Um dos grandes desafios a enfrentar é a separação emocional e psicológica face ao outro, abandonando o "nós" que idealmente se terá formado e passando a centrar-se apenas na dimensão do "eu".

Ora, este processo é tudo menos fácil e surge de mãos dadas com diversas emoções. Desde a culpa à raiva, a ansiedade ao medo, a tristeza à frustração. Ainda, o desejo de vingança, que tantas vezes conduz a comportamentos totalmente desajustados e mesmo perniciosos.

A gestão destas emoções implica, antes de mais, que estas sejam reconhecidas. Que não se enverede por um processo de negação, afirmando a si mesmo e perante os outros que «está tudo bem». Reconhecer as emoções que se sentem, mesmo as mais desagradáveis, é então o primeiro passo a dar. Depois, assumir que a gestão emocional não se faz de um dia para o outro... as emoções desagradáveis não desaparecem só porque sim. Muitas vezes, procuram-se estratégias rápidas para lidar com estas emoções. O consumo excessivo de álcool, que mais não faz do que «anestesiar» o stress. A procura desenfreada de outra relação afectiva que, de forma imediata, substitua a anterior. Trabalhar sem parar, focando a atenção em algo externo que minimize os pensamentos que tanto incomodam.

Não é este o caminho.

Permita-se vivenciar as emoções. Reconheça-as e olhe-as de frente, que é como quem diz, não as ignore e tente perceber porque surgem. Foque-se também naquilo que pensa e tente perceber se está a ser inundado por pensamentos negativos que encerram em si diversas distorções... pensar, por exemplo, que «ninguém gosta de mim», «nunca vou ser feliz», «se ele/ela não me quis é porque sou uma pessoa horrível», «vou arranjar outra pessoa e resolver já isto», «a culpa é toda dele/a». Tente ainda identificar e modificar comportamentos desadequados que possam estar a contribuir para um aumento do stresse.

Lembre-se que a separação/divórcio é uma situação potencialmente indutora de stresse muito significativa que, dependendo da forma como é gerida, pode, ou não, desencadear uma crise com impacto negativo em todo o sistema familiar. Rodeie-se ainda de pessoas significativas para si, sendo certo que a rede de apoio familiar e social é um importante fator de proteção.

E se precisar, não hesite em pedir ajuda especializada.

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