A que sabe a lua?

Vivemos formatados por uma forma de pensar racional e convencional e acabamos, sem nos dar conta, por perder a capacidade fantástica que só as crianças têm de pensar "fora da caixa". Ao crescer, deixamos de fazer perguntas estapafúrdias, de questionar aquilo que parece inquestionável, de rir só porque sim e de fazer o pino para tentar olhar as situações de um outro prisma.

Temos de admitir. Quem de nós pensou ultimamente sobre qual seria o sabor da lua? Ou o som do chocolate? E a que cheira a luz? O que sente uma flor?

Perguntas sem nexo... ou talvez não.

Para as crianças, a realidade é vista de uma outra forma. Por um lado temos as crianças mais pequenas que, com o seu pensamento concreto, questionam aquilo que para os adultos parece tão óbvio. Uma criança a quem os pais separados diziam que existia a «roupa da casa da mãe» e a «roupa da casa do pai» perguntou: "mas os móveis vestem a minha roupa? Nunca vi as cadeiras com as minhas calças...".

As crianças mais velhas, por seu turno, imbuídas já de um pensamento mais abstracto, enfrentam a realidade de uma forma que nos desarma. Uma criança vítima de maus tratos emocionais dizia, "já que os meus pais não conseguem ser adultos, tenho de ser eu a encontrar formas de resolver isto... aprendi a ignorar o que me dizem, a fazer-de-conta que me dizem coisas diferentes, imagino outras conversas, diferentes daquelas que existem".


Era bom se, de vez em quando, os adultos se elevassem ao lugar onde estão as crianças. Aprender a ver as coisas pelos seus olhos, a ouvir pelos seus ouvidos, a sentir pelo seu coração. Parece-me um exercício fundamental de crescimento e aprendizagem. Questionarmos o que andamos a dizer e a fazer, pensar nas marcas que andamos a imprimir aos nossos filhos. É que as crianças, como tão bem diz o nosso mestre, o conselheiro Armando Leandro, crescem. Crescem e pensam, analisam e criticam. E questionam os adultos. Os pais e todos os demais. E ainda bem que o fazem. Porque no dia em que as crianças deixarem de o fazer... o mundo para.

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