A depressão é muito mais do que estar triste e chorar

Quem está perto de alguém e sente esse alguém diferente, escute. Não é ouvir, é escutar.

Tristeza, medo, angústia, ansiedade... quem é que nunca sentiu? Pensamentos negativos... quem é que nunca teve? Vontade de ficar quieto num canto e chorar... quem é que nunca passou por isso?

Falamos de emoções e de comportamentos passageiros e baixa intensidade que rapidamente passam, o que significa que a pessoa sente capacidade de controlo, acabando por não interferirem de forma negativa no seu bem-estar e na sua vida em geral.

Noutras situações podemos ter problemas de saúde psicológica, como a depressão, que é muito mais do que estar triste e chorar. Caracteriza-se por emoções mais intensas (como se tivéssemos "febre de emoções") e persistentes ao longo do tempo, que dificilmente controlamos. Ao mesmo tempo, pensamos de uma forma mais negativa sobre nós próprios, o mundo e o futuro, o que acaba por traduzir-se em alterações de comportamento que influenciam o funcionamento a nível familiar, profissional e/ou social.

A depressão não passa com palmadinhas nas costas nem com uma piada para alegrar o dia. Não passa também com frases de incompreensão e até culpabilização, como se a responsabilidade por uma reacção depressiva fosse de quem a experiencia. Por isso, se não dizemos a um asmático para pensar de forma positiva que a crise passa, também não devemos dizer a alguém deprimido que tudo se resolve com um passeio e um sorriso nos lábios.

Os problemas de saúde psicológica continuam a ser os parentes pobres da saúde. Ainda associados a vergonha e estigma, mantem uma conotação de tal forma negativa que impede muitas pessoas de pedirem ajuda. Ora, este processo de ajuda poderia ser muito facilitado se da parte das outras pessoas houvesse uma real aceitação destes problemas como isso mesmo, problemas que carecem de ajuda terapêutica especializada, e não como manias, esquisitices ou meras chamadas de atenção.

Quem está perto de alguém e sente esse alguém diferente, escute. Não é ouvir, é escutar. Escutar no sentido de dar tempo e espaço para que esse alguém partilhe o que pensa e o que sente, sem acusações, recriminações ou banalizações. Escutar mostrando compreensão e empatia, a par de disponibilidade para ajudar. Ajudar e encaminhar.

Se é esse alguém, procure à sua volta quem possa ser o "escutador" que precisa e peça ajuda. Acreditar que pode ser ajudado, mesmo quando tudo parece tão negro, é o princípio de um caminho que não fará sozinho. Estamos aqui. Estamos todos aqui.


Linhas de apoio para aconselhamento psicológico:

Saúde 24
808 24 24 24
www.saude24.pt

Linha SOS Palavra Amiga
232 42 42 82
Todos os dias, das 21 à 01 horas;

Centro SOS-Voz Amiga:
(ajuda na solidão, ansiedade, depressão e risco de suicídio)
21 354 45 45 - Diariamente das 16 às 24h
91 280 26 69 - Diariamente das 16 às 24h
96 352 46 60 - Diariamente das 16 às 24h
www.sosvozamiga.org

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