O "Coronário" Trump da Doutrina Monroe

Numa célebre mensagem ao Congresso em dezembro de 1823, James Monroe falou de um sistema americano por oposição a um sistema europeu e como os Estados Unidos se viam como o garante do primeiro. Acrescente-se que o presidente americano destinava as suas palavras sobretudo à hipótese de os países da Santa Aliança tentarem intervir nas Américas para devolver as colónias rebeldes à Coroa Espanhola, e era mais uma advertência do que uma ameaça dada a fraqueza militar relativa dos Estados Unidos na época.

Na viragem do século XIX para o XX, as palavras do presidente Monroe tinham já passado a Doutrina, sob a fórmula de a América para os Americanos, no sentido continental dos termos. E um dos seus sucessores, Theodore Roosevelt, adaptou-a mesmo de forma a justificar a intervenção militar em vários países das Caraíbas e América Central, com regimes que desagradavam a Washington. Foi o chamado Corolário Roosevelt da Doutrina Monroe.

Agora temos o "Coronário" Trump, a decisão de fechar os Estados Unidos a visitantes da Europa por causa do coronavírus. Não se questiona o direito do presidente de agir em defesa dos americanos, e em tudo o que tem que ver com o combate à agora pandemia as medidas tomadas pelos governos hão-de ser sempre classificadas entre o extremas e o tímidas.

O bizarro na decisão anunciada por Donald Trump é o critério, ou a falta dele. Só os países do Espaço Shenghen!!!! O Reino Unido, que tem centenas na infetados, fica de fora porquê? Por ter saído da União Europeia há meia dúzia de semanas ou ter-se-á Trump lembrado que em 1823 Monroe via já os britânicos como diferentes do resto dos europeus, contando até discretamente com a marinha destes para fazer cumprir a sua advertência caso a Santa Aliança avançasse mesmo?

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