Jornalistas, vírus, crise, lay-off e leitor

Chegou a pandemia e logo a seguir a crise económica. Nem uma nem outra parecem poupar ninguém. E assim como os jornalistas se tentaram proteger do vírus através do teletrabalho e de medidas de proteção quando na rua, também agora os seus jornais, a comunicação social em geral, se veem afetados por medidas como o lay-off, de repente quase léxico de uso comum.

Como é público, o lay-off foi aplicado ao Global Media Group, do qual faz parte o Diário de Notícias, e constitui um desafio tremendo para um jornal apesar de tudo habituado a sofrer com o país, ou não fosse testemunha do que nele acontece há mais de século e meio - sejam mudanças de regime, grandes feitos desportivos, crises económicas, epidemias e entre elas até a famosa Gripe Espanhola.

Como diretor interino assumo o compromisso que vem desde o primeiro editorial do nosso fundador, Eduardo Coelho, escrito a 29 de dezembro de 1864: um jornal ao serviço do leitor. É um compromisso que não é individual, mas sim de toda uma redação, basta ver o seu historial.

Os jornalistas do Diário de Notícias estão a partir desta terça-feira em lay-off parcial, partilhando das incertezas que muitos outros portugueses sentem nestes tempos complicados. Mas não deixam de ser 100% profissionais, empenhados em fazer o melhor trabalho possível, e sempre digno. Sabem bem que àqueles que abraçaram esta profissão se exige uma dedicação muito especial, o manter a sociedade informada, o que ganha especial relevo quando tanta informação sem rosto e sem controlo prolifera nas redes sociais.

Este abril é, pois, especialmente duro para nós. Depois de um março duro também, mas que viu a audiência online do jornal atingir os 3,2 milhões de leitores, um recorde absoluto, com o maior crescimento entre os jornais generalistas (59%), e as vendas da edição impressa aos sábados a manterem-se estáveis apesar do confinamento e do fecho de muitos quiosques. É inegável que esta marca, com tanto passado, tem futuro. Basta que nos assinem ou que nos comprem nas bancas.

E esse futuro, da nossa parte, é construído a todo o momento: quando entrevistamos António Damásio e Herman José sobre o impacto do vírus, quando mostramos como os nossos nadadores treinam sem piscina, quando acompanhamos o apoio aos idosos em Pombal, quando contamos a história de um jovem preso recém-libertado, quando vamos ao Hospital de Santa Maria ver como se adaptou à Covid-19, quando passamos a noite com a equipa que recolhe o lixo em Lisboa, quando visitamos o centro de comando das operações militares ou quando, do outro lado do Atlântico, testemunhamos como se sobrevive à pandemia numa favela em Ribeirão Preto.

Tudo isto para si, caro leitor.

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