KNESSET: Um bom exemplo vindo de Israel

Em rigor este bom exemplo não vem apenas do Knesset, o Parlamento de Israel, mas também do Executivo, já que ministros e deputados decidiram cortar 10% nos seus próprios salários, em prol e em sintonia com os seus compatriotas, que mais foram afectados do ponto de vista económico pela pandemia. Há também 4 ministros que pressionam agora para que os magistrados sigam o mesmo exemplo. Não deverá ser difícil atingir este conseguimento, já que país que mantém o Serviço Militar Obrigatório faz Escola junto das fileiras sobre o Espírito de Corpo e seu imperativo na construção de um sentimento de Comunidade que, quando bem alicerçado a torna mais solidária e justa.

Nova boa notícia, é que políticos israelitas não estão sozinhos nesta iniciativa. Outros exemplos vêm da Bulgária, onde deputados e ministros doaram na totalidade os salários de Abril e Maio, ou seja, enquanto aí durou o confinamento. Em Marrocos, respondendo ao apelo do monarca, deputados e ministros, abdicaram de um mês de salário em beneficio de um Fundo de Apoio à Gestão da Pandemia. Na Argélia, membros do Governo e o novo Presidente também contribuíram com um mês de salário em contas solidárias Covid-19. Na Turquia, o Presidente Erdogan afirmou que contribuiria com 7 salários seus em prol da luta contra a pandemia, enquanto os seus ministros abdicarão entre 3 e 6 salários para o mesmo fim. Exemplos deste tipo de iniciativas continuam pela parte de quem viu aqui a oportunidade de assumir a responsabilidade de dar o exemplo a partir de cima, como o Gana, o Ruanda, o Malawi, o México e a República da Irlanda.

E Portugal? E os políticos portugueses? Ah, é verdade, provavelmente já não foram à tropa! E o Espirito de Corpo? E o sentimento de Comunidade? Ah, é verdade, ficou circunscrito ao futebol, agora com estatuto de Indústria!

Seria interessante que o pulsar do lóbi pró-Israel em Portugal ecoasse neste âmbito junto do topo da pirâmide em Portugal, onde aliás tem demonstrado tão bem mover-se. Sendo uma população maioritariamente constituída por cristãos-novos, num país que tem no jargão "Humanista" uma âncora ética, permanentemente utlizada no discurso "à la international", seria no mínimo elegante e construtivo descerem um mês ou dois do céu dos privilégios à terra dos contribuintes e até darem argumentos de defesa ao próximo a ser confrontado sobre se consegue viver com 300 euros mês! Ou não estão todos no mesmo iate?


Politólogo/Arabista
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