O jogo da educação

Houston we have a problem: escrevi aqui algures, em tempos, que o decréscimo do efeito Flynn é cada vez mais evidente, pois o QI dos filhos, pela primeira vez em décadas de monitorização, é inferior ao dos pais. Pois, mas parece que... afinal já não!

Num recente estudo, sobre o impacto da exposição aos videojogos, televisão e redes sociais na inteligência de crianças, provou-se que os videojogos têm um impacto positivo no desenvolvimento intelectual das crianças pois as que jogaram mais videojogos, mostraram um acréscimo em ganhos de inteligência. Em oposição, os que viram televisão ou estiveram apenas mergulhados nas redes sociais, mantiveram os seus níveis intelectuais. Este estudo que envolveu cerca de 9800 crianças entre os 9 e os 10 anos que foram depois monitorizadas 2 anos mais tarde, foi publicado pela Nature, uma das mais reputadas editoras em vários campos da ciência, portanto eu diria que em termos de credibilidade científica o artigo cobre todos os pressupostos.

Mas isto não quer dizer que agora vamos todos cancelar a Netflix e a HBO, e apagar os perfis do TikTok e do Instagram! Nem tão pouco que vamos trocar as atividades desportivas dos miúdos por sessões intermináveis de FIFA, Fortnite e Zelda!

Isto só quer dizer que vamos continuar a navegar à deriva, tomando decisões baseadas no nosso bom senso e nas aptidões e personalidade dos nossos filhos.

Criar um filho não é tarefa fácil. E quando vem o segundo achamos que depois do primeiro já não vamos cometer os mesmos erros e que o roadmap do primogénito vai ajudar. Mentira! O segundo é sempre o oposto do primeiro e é como se tivéssemos outra vez... o primeiro!

Os nossos receios são baseados no medo do que aí vem, no medo do que não dominamos, no medo do que desconhecemos. Eu diria que este artigo pode ajudar-nos, enquanto pais a relaxar um pouco mais. Só isso! Que pode ajudar-nos a encontrar um equilíbrio entre tudo aquilo que eles querem e aquilo que nós achamos que eles precisam.

O que na verdade me chateia é que sermos especialistas em tecnologia não nos transforma em especialistas em educação!

Há estudos semelhantes nos anos 80, que previam isto mesmo: que alguns jogos desenvolviam a inteligência espacial e a psicomotricidade fina das crianças, que é como quem diz, perceber o espaço e entender as dinâmicas dos seus próprios corpos. Ou seja, nada de novo, portanto.

Enfim... o streaming a crescer e a indústria dos videojogos a disparar. Nada a dizer! É o que é.

O que na verdade me chateia é que sermos especialistas em tecnologia não nos transforma em especialistas em educação!

Designer e Diretor do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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