Em 2100 seremos menos de 7 milhões em Portugal

De acordo com as "World Population Prospects - The 2017 Revision, Key Findings and Advance Tables", elaboradas pela Divisão da População da ONU, a população mundial passará dos atuais 7800 milhões de pessoas para 9800 milhões até 2050, estimando-se que chegue a 11 200 milhões em 2100.

A mais relevante novidade que este documento da ONU nos traz é o crescimento da população da África Subsariana. Hoje, esta região é habitada por menos de mil milhões de pessoas (c. 13% da população mundial); estima o estudo que em 2100 deverão ser cerca de 4000 milhões (c. 36% da população mundial). Em alguns casos - Angola, Burundi, Níger, Somália, Tanzânia e Zâmbia - as altíssimas taxas de fertilidade farão a população destes países aumentar cinco a seis vezes.

Nos países de língua portuguesa, o Brasil verá a sua população aumentar dos 209 milhões em 2017 para 232 milhões em 2050, para regredir, depois, para 190 milhões no final do século. Estima-se que a população de Angola cresça quase seis vezes, passando de c. 30 milhões em 2017 para c. 173 milhões em 2100. Por sua vez, Moçambique deverá passar dos c. 30 milhões de habitantes para c. 135 milhões no final do século. A Guiné-Bissau passará dos 1,8 para 5,9 milhões em 2100. Cabo Verde passa dos atuais 0,55 para 0,7 milhões no final do século. Timor-Leste passa de 1,3 para 3,85 milhões em 2100. São Tomé e Príncipe passa de 0,2 para 0,6 milhões. No caso de Portugal, a previsão é que a população diminua dos atuais 10,3 milhões para 6,6 milhões em 2100.

Estas estimativas merecem ponderação séria e devem ser tomadas em consideração na [re]definição de estratégias e políticas públicas, seja da União Europeia ou seja de Portugal.

No que tange a Portugal, para além dos problemas subjacentes ao progressivo envelhecimento da população (o "índice de envelhecimento" passou de 27,5% em 1961 para 161,3% em 2019, Pordata), sobretudo nos planos laboral, da segurança social e dos serviços de saúde - é necessário perceber que este declínio populacional nos coloca perante um desafio existencial, sendo urgente delinear uma estratégia nacional de combate ou atenuação do decréscimo populacional, que seja amplamente debatida e em que se procure o mais amplo consenso nacional possível.

Uma verdadeira estratégia nacional, delineada de forma inteligente, bem pensada e séria, com foco no longo prazo.

Uma estratégia nacional que não passe por pensamentos ilusórios de que compatriotas que se expatriaram e têm a sua vida organizada fora de Portugal vão subitamente regressar devido a uns parcos incentivos como está subjacente ao Apoio ao Regresso de Emigrantes a Portugal e outros programas similares anteriores.

Uma estratégia nacional feita com realismo, começando pela assunção de que estudos comparativos mostram ser muito improvável que os jovens casais portugueses venham a mudar a sua postura quanto ao número de filhos, sobretudo quando não há indícios de que o seu poder de compra vá aumentar significativamente nas próximas décadas.

Uma estratégia nacional que enquadre uma política de imigração/residência em Portugal que tenha como um dos seus pilares a necessidade de compensar a baixa taxa de fecundidade nacional com uma política migratória que vise a reposição populacional, com prioridade a jovens casais estrangeiros com crianças ou em idade fértil.


Consultor financeiro e business developer
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