Candidaturas independentes

Os independentes podem concorrer a uma autarquia, mas tudo lhes é complicado. Não se pode tentar querer ganhar na secretaria um jogo que deve ser igual para ambas as partes: partidos e independentes. As regras do jogo estão viciadas à partida.

Uma candidatura independente exige um conjunto de condições prévias, mais complexo do que as apresentadas para formar um partido, nomeadamente um número vasto de assinaturas e uma especial capacidade financeira por parte da estrutura de apoio.

Os partidos continuam em larga vantagem: não têm de reunir assinaturas; subvencionados pelo Estado; benefícios fiscais (IRC e IVA), entre outros.

Um partido quando se legaliza é para toda a vida, uma candidatura independente esgota-se no dia das eleições.

A nossa democracia não é para democratas, é só para os senhores dos partidos que fazem as leis a seu bel-prazer e quando veem que essa lei, apesar de todo o entrave, consegue fazer eleger independentes, tentam de outra forma obstaculizar os independentes. A partidocracia no seu melhor!

A maioria das candidaturas independentes vêm de pessoas que se zangaram com os seus partidos, mas uma candidatura no Porto já teve o apoio envergonhado do anterior inquilino na presidência da câmara.

Interessante seria alguém que nunca teve nenhum cargo público, vindo genuinamente da sociedade civil, e conseguisse ter êxito, pôr as suas políticas e ideias em prática. Era bonito um dia acontecer, não é fácil chegar lá, mas de todo impossível.

Um processo de candidatura independente deve ser agilizado e usufruir das mesmas condições que um partido. Por outro lado, um independente poder concorrer, para além de uma junta ou câmara, ao parlamento como deputado independente sem ser integrado em listas de partidos.

Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores

Mais Notícias

Outras Notícias GMG