A tripulação da estagnação

Portugal está estagnado. É algo demonstrado e comprovado por diversas entidades nacionais e internacionais nos mais credíveis relatórios. O Partido Socialista, que governou em 19 dos últimos 25 anos, bem pode tentar pintar cenários idílicos e acenar narrativas alternativas, que a realidade é infelizmente muito diferente: temos um país socialmente em retrocesso e economicamente estagnado.

Isto significa que a cada dia as condições de vida vão-se deteriorando. Enquanto outros países crescem em ritmo acelerado e vários nos ultrapassaram já, os portugueses ficam mais pobres. Um Portugal estagnado é um país que caminha no aumento da pobreza.

Se em cada crise devemos olhar para as oportunidades, o que a governação socialista tem demonstrado é uma prática crónica de desperdiçar oportunidades. Depois de terminado o último plano de resgate e com a montagem da geringonça, de forma a garantir os votos do PCP e do Bloco de Esquerda, o PS entrou num processo de revogação em curso. Até hoje a reforma laboral, que permitiu a recuperação do emprego pós-crise de 2011, estava a salvo, mas no caminho para o próximo Orçamento do Estado os sinais são preocupantes. Também aqui há indícios de marcha-atrás.

Tudo o que temos visto relativo ao PRR - Plano de Recuperação e Resiliência - aponta para mais um episódio deste fado das oportunidades perdidas. Será uma festa do milhão sem qualquer visão. As últimas semanas vieram confirmar que o governo socialista não tem visão nem capacidade para potenciar o crescimento do país e olha para os milhões da Europa como algo meramente instrumental para a permanência no poder.

Assim não se vislumbra uma janela de esperança para que Portugal saia da estagnação crónica, inerente à excessiva presença do Estado na nossa vida social e económica. Não há uma nesga de alento a quem deseja subir na vida a trabalhar em terras lusas, com milhares forçados a emigrar para países com melhores salários. Não há uma brecha de fôlego a quem pretende desenvolver o seu negócio, receando o peso fiscal, as teias burocráticas ou a lentidão da justiça.

É este o resultado da governação socialista em 19 dos últimos 25 anos e exponenciada com António Costa, que para manter em pé uma geringonça vai mercadejando, Orçamento após Orçamento, com PCP, Bloco, Verdes e PAN.

É esta a tripulação da estagnação, com Costa a fazer de comandante de um navio, enquanto PCP e Bloco disputam o papel de contramestre e Verdes e PAN surgem no papel de aspirantes.

Nada que nos devesse surpreender, visto que PCP e Bloco de Esquerda já estão habituados a seguir cegamente um comandante, mesmo quando este encaminha um povo inteiro para a pobreza.

Surpresa maior é perceber que, caso estes partidos ameaçassem não navegar com António Costa, bastava a este acenar para o cais da Lapa, de onde Rui Rio logo demonstraria disponibilidade para uma amarração ao governo.

Mas é na margem esquerda que Costa continua a recolher respaldo, para gáudio de alguns camaradas que desejam no futuro capturar o comando da embarcação, acenando para bombordo, sem perceber que a mesma está encalhada, e vão insistindo na cegueira em recusar que outros barcos, de diversas dimensões e geografias, navegam com sucesso e já faltam poucos para nos ultrapassar.

Há alternativa a este rumo? Há, é ver a receita de liberdade, progresso e desenvolvimento que outros países adoptaram com sucesso. Uma receita liberal. E aplicá-la também em Portugal.

Escreve de acordo com antiga ortografia

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