Opinião

Pedro Tadeu

E se o chef Ljubomir Stanisic continuar sem comer?

Não encontro explicação razoável para o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, não ter já recebido os grevistas da fome que, há seis dias, estão frente à Assembleia da República, num movimento reivindicativo de donos de restaurantes onde pontifica uma estrela mediática, o chef Ljubomir Stanisic, que conseguiu obter uma projeção nos jornais e TVs que trabalhadores anónimos, sindicatos e, até, associações empresariais em protesto habitualmente não conseguem.

Pedro Tadeu
Pedro Tadeu

O PCP apagou a Coreia do Norte?

A discussão à volta do XXI Congresso do PCP tem três grandes matérias: a realização da iniciativa durante o estado de emergência, a eleição das pessoas que vão dirigir o partido e o texto da Resolução Política. Ao fim de um dia de trabalhos, constato que o primeiro assunto parece que só interessa a quem está fora do PCP. Para os comunistas é apenas um bom pretexto para reclamar independência nas ideias e na ação e apontar motivos de perseguição política.

Pedro Tadeu
Adriano Moreira

A insegurança

Segundo notícias, são avaliados 50 milhões de seres humanos atingidos pela pandemia, e entre novas notícias, provavelmente a de que há 27 concelhos portugueses que têm mais de mil casos por cem mil habitantes. Estas, possivelmente não inteiramente identificadoras da dimensão da crise, agravaram-se quando a OMS divulgou que a Europa se transformou num novo epicentro do vírus, porque na vigorosa Alemanha, na Espanha, na Itália, e agora Portugal, o espaço Schengen sofre uma rude prova, a qual, segundo o Le Monde, poderá ser a recessão. Não é uma notícia que amenize a questão, a qual é mundial e não só europeia, que o teimoso Trump tenha há poucos dias declarado o estado de emergência, que lhe deve contribuição de teimosa conduta.

Adriano Moreira
Ângelo Correia

Janus: as duas faces do poder

1 No fim de semana passado, o ministro da Defesa Nacional, Dr. João Cravinho, fez publicar um estimulante artigo realçando a importância do conceito do "uso dual", o qual, em termos "operacionais", traduz a possibilidade de uma acção levada a cabo por uma estrutura pertencente a um determinado operador produzir não só o objectivo pretendido, no âmbito do sector onde se insere, como também objectivo distinto correspondente a outro sector de actividade.

Ângelo Correia
Paulo Baldaia

Acontece que o dinheiro é do povo, meus amigos

Vocês querem ver que os deputados perderam a cabeça e colocaram Portugal, de novo, à beira do abismo onde acabará por cair, perdendo, definitivamente, o direito de ser olhado com respeito por uma comunidade internacional que, verdadeiramente, só obedece aos famosos mercados? É, aconteceu! Aprovaram uma norma no Orçamento do Estado que impede o Governo de prever uma abertura dos cofres do Terreiro do Paço, lá para maio, e retirar mais 476 milhões para confortar os donos do Novo Banco, por desvalorização de ativos.

Paulo Baldaia
Victor Ângelo

Eles não cabem no nosso futuro

Reconheço as preocupações que muitos pensadores expressam sobre o que será o mundo, no rescaldo da pandemia do coronavírus. Uma boa parte diz que esta crise pulveriza as nossas sociedades e desestrutura a democracia e as alianças que nos ligam a outros povos, promove a tendência para o isolamento, o egoísmo nacionalista e a perda dos pontos de referência que davam sentido às relações internacionais. Assim, o mundo sairia da crise fragmentado, com cada país mais centrado sobre si próprio, mais autocrático e com as instituições do sistema multilateral bastante enfraquecidas.

Victor Ângelo
Rogério Casanova

Diego Maradona (1960-2020)

PremiumHomens a tentar falar e a não conseguir, homens a chorar convulsivamente, homens a mastigar segundos inteiros de silêncio em directo: foi este o tema dominante da semana televisiva, pelo menos para quem tentou sintonizar canais argentinos. Noutros países, a coisa procedeu de maneiras menos operáticas, mas igualmente reverentes, com procissões de convidados a chegar aos estúdios munidos da matéria-prima dos obituários, prontos para explicar porque é que alguém que deixou de estar vivo na verdade não morreu. Muitos destes comentários incluíram a palavra "Deus".

Rogério Casanova
Margarita Correia

Brasil, Portugal e esta língua que nos (des)une

Foi notícia uma terapeuta da fala (ou fonoaudióloga, termo usado no Brasil) ter visto a sua candidatura ao exercício da função no Serviço Nacional de Saúde ser rejeitada com base no seu deficiente domínio da língua portuguesa, aparentemente pelo facto de ser brasileira e falante de português do Brasil. O caso de cidadãos brasileiros discriminados por razões linguísticas em Portugal é recorrente e este preconceito tenderá, acredito, a intensificar-se com a chegada de mais cidadãos brasileiros com formação superior. Já me referi à questão em texto anterior, a propósito de dissertações e teses apresentadas por alunos brasileiros a universidades portuguesas e ocorre-me a discriminação de que são alvo colegas brasileiros, com competências e currículos inatacáveis, quando se candidatam a ensinar linguística ou língua portuguesa em instituições públicas de ensino superior.

Margarita Correia
Leonídio Paulo Ferreira

Peixe, soberania e regresso à guerra aqui tão perto

Entre o chamado "muro de segurança" marroquino e a fronteira mauritana distam cinco quilómetros. E a essa terra de ninguém dá-se o nome de Passagem de Guerguerat, de repente nas notícias, mas até há umas semanas só conhecida dos fanáticos de geografia e, claro, dos governantes marroquinos e dos líderes da Frente Polisário, o movimento que desde 1975 luta pela independência do Sara Ocidental (províncias do Sul, diz Rabat). Ora, Guerguerat só se tornou célebre porque a ação do exército marroquino para desfazer um bloqueio organizado pela Polisário levou esta última a pôr fim ao cessar-fogo que durava desde 1991.

Leonídio Paulo Ferreira
Raúl M. Braga Pires

Pompeo em Israel e Netanyahu na Arábia Saudita

A visita secreta do Primeiro-Ministro israelita à Arábia Saudita para se encontrar com o Príncipe Herdeiro Mohamed Bin Salman, já foi desmentida e confirmada por entidades suficientes, para se manter a dúvida razoável sobre esta deslocação, mas não parece improvável, dada a importância dos Acordos de Abraão e dado tratar-se da reta final da Administração Trump, a qual tem neste Acordos, o Adquirido que poderá salvar a mesma de um fracasso em todas as frentes.

Raúl M. Braga Pires
Rita Rodrigues

Na Black Friday, olhe bem para o preço antes de olhar para o desconto

Disse um dia Marilyn Monroe que a felicidade não está no dinheiro mas sim nas compras. A Black Friday, uma invenção americana que se propagou à escala global, é o símbolo máximo deste ponto de vista. Junte-se a atração irresistível do ser humano por promoções - ou pelo menos pela aparência de uma boa promoção - e temos nesta altura do ano um desafio como nenhum outro para os consumidores, em Portugal e um pouco por todo o mundo.

Rita Rodrigues
Daniel Deusdado

E se Rio, Catarina e Ventura fossem pedir o dinheiro​​​​​​​ a Ricardo Salgado?

Vamos brincar ao populismo? Comecemos então por dizer que o (alegadamente) criminoso Ricardo Salgado é o responsável por este país estar de rastos há seis anos. Que tal uma vigília à porta da casa do senhor para o colocar debaixo da ponte ou metê-lo na cadeia à força? E que tal nacionalizar tudo, dele e da família, e dos amigos, e dos amigos dos amigos por onde alguma vez circulou dinheiro, tudo isto sem tribunais nem julgamentos, e pegássemos nessa massa de liquidez e ajudássemos a pagar a dívida do Novo Banco? A arrecadação seria certamente superior a 476 milhões.

Daniel Deusdado
Rute Agulhas

Porque sentimos necessidade de antecipar o Natal?

Este ano queremos que o Natal chegue mais cedo e, por isso, antecipamos as decorações e as compras. Porquê? De que modo nos ajuda isto a sentir melhor? A celebração do Natal é um ritual. Independentemente das crenças de cada família, é um ritual anual que confere previsibilidade, estabilidade e maior sensação de controlo. Ao mesmo tempo, reforça os vínculos afectivos com as pessoas de quem gostamos, gerando sentimentos de bem-estar, alegria e compaixão. O Natal é ainda associado a partilha, amor e esperança, emoções agradáveis que contrastam com a angústia, a ansiedade e as perdas que tantos de nós temos vivido nos últimos meses. Neste contexto atípico e de incerteza em que vivemos, planear este ritual torna-se ainda mais importante. É como se a vida à nossa volta voltasse a ser «normal» durante algum tempo, permitindo-nos focar a atenção em aspectos positivos e, em paralelo, minimizar os negativos. É como colocar um filtro nos nossos pensamentos, deixando à tona apenas aqueles que nos ajudam a sentir bem. Enquanto estivermos focados na árvore de Natal, no presépio e na lista de compras para a ceia, não pensamos no vírus, no desemprego e em tantas outras ameaças. E até podemos ouvir as notícias que desanimam... um pouco menos, quando vemos as luzinhas a piscar. Para as crianças o Natal é também muito importante, e não apenas pelos presentes, como possamos imaginar, mas sobretudo por quem está presente. Pela oportunidade de estar em família. E a verdade é que cada vez mais ouço crianças e jovens afirmar isto mesmo, deitando por terra aquela imagem estereotipada das crianças que apenas valorizam os bens materiais. Importa, porém, ter em conta duas situações. Em primeiro lugar, compreender e aceitar que muitas pessoas possam não sentir qualquer vontade em celebrar. A tristeza, as saudades e os lutos requerem tempo para ser processados e tê-lo é um direito de todos nós. Saibamos, por isso, respeitar o tempo e o espaço que algumas pessoas possam precisar. Em segundo lugar, que esta necessidade de celebração não nos tolde a visão e impeça de sermos conscientes e responsáveis. Que saibamos conciliar a festa e o convívio com a segurança de todos. E se o Natal este ano for diferente, com algumas restrições? Pois será. Acredito que encontraremos dentro de nós estratégias para lidar com essa diferença e aprender com ela. Se o Natal é quando um homem quiser, também pode ser como um homem quiser.

Rute Agulhas
Leonídio Paulo Ferreira

Como Maradona vingou a Guerra das Malvinas

Não sei se Maradona seguia a série The Crown, que na Netflix relata com alguma liberdade criativa a família real britânica. Mas se o futebolista que morreu nesta quarta-feira tivesse visto agora a quarta temporada, certamente detestaria o modo determinado como Gillian Anderson, a atriz que encarna Margaret Thatcher, ordena o envio de tropas para reconquistar as Falkland aos argentinos. Estamos na primavera de 1982 e neste ponto a série é muito fiel à realidade.

Leonídio Paulo Ferreira