Opinião

Helena Tecedeiro

A arte de tirar cortiça do tio Zé

Quando se passa pelas estradas do Alentejo, é cenário comum o daquelas árvores de tronco avermelhado em contraste com os ramos escuros e rugosos. São sobreiros aos quais acabaram de tirar a cortiça. Tirar. Porque a cortiça não se recolhe nem se apanha, tira-se. De nove em nove anos, os homens sobem ao sobreiro e com o seu machado, a sua arte e o seu amor tiram a cortiça, um material usado nas rolhas das garrafas de todo o mundo e de que Portugal é o maior produtor.

Helena Tecedeiro
Ricardo Paes Mamede

Quem sabe que políticas funcionam em Portugal?

Para que serve esta política? E funciona? Experimente fazer estas duas perguntas sobre uma qualquer política pública a alguém que, em princípio, deveria saber responder. Pergunte a governantes, deputados, especialistas, académicos, auditores, inspectores, directores-gerais, técnicos superiores do Estado, gestores de fundos europeus. Verá que poucos darão uma resposta clara àquelas duas questões, que parecem tão simples. É este o estado da avaliação de políticas públicas em Portugal.

Ricardo Paes Mamede
Anselmo Borges

A pessoa e a dinâmica religiosa. 2

O Homem tem uma constituição paradoxal. Por vezes, constata que fez aquilo de que se espanta negativamente, erguendo, perplexo, a pergunta: como foi possível eu ter feito isso? - aí, não era eu. Há, pois, o "isso" em nós sem nós, de tal modo que fazemos a experiência do infra ou extrapessoal em nós. Talvez fosse a isso que São Paulo se referia quando escreveu: "Que homem miserável sou eu! É que não faço o bem que eu quero, mas o mal que eu não quero, isso é que pratico." Por outro lado, o Homem dá consigo como sendo mais do que o que é: ainda não é o que quer e há-de ser. Ainda não sou o que serei. Uma das raízes da pergunta pelo Homem deriva precisamente desta experiência: eu sou eu, portanto, idêntico a mim, mas não completamente idêntico, porque ainda não sou totalmente eu. Então, o que sou?, o que somos?, o que é o Homem? O Homem não se contenta com o dado. Quer mais, ser mais, numa abertura sem fim. Exprimindo esta abertura ilimitada, há uma série de expressões famosas: citius, altius, fortius (mais rápido, mais alto, mais forte), o lema olímpico; o Homem é bestia cupidissima rerum novarum (animal ansiosíssimo por coisas novas), dizia Santo Agostinho; Max Scheler definiu-o como "o eterno Fausto", e Nietzsche, como "o único animal que pode prometer"; Unamuno escreveu: "Mais, mais e cada vez mais; quero ser eu e, sem deixar de sê-lo, ser também os outros." Mesmo na morte, o Homem não está acabado, pois é o animal do transcendimento e sempre inconcluído.

Anselmo Borges
Adriano Moreira

O imprevisto à espera de uma oportunidade

Um ponto de partida para meditar sobre o inquérito aberto pelo Diário de Notícias, pode talvez ser o fim da Segunda Guerra Mundial. Olhando nessa data para as perdas humanas e destruições materiais sofridas pela URSS, pela China, pelo Japão, pela Europa e por numerosas colónias do império euromundista, o presidente Harry Truman, em 9 de agosto de 1945, fez esta proclamação: "Saímos desta guerra como a nação mais poderosa do mundo, talvez a mais poderosa de toda a história." Protegidos por dois oceanos, sofreram menos, e assumiram uma hegemonia global. Nos escassos dias, decorridos no mês de dezembro de 2019, a conferência da NATO em Londres, e a conferência do ambiente em Madrid suscitam a concentração mundial em relação a dois desafios dominantes: a utopia da ONU, da "Terra única", e da "Terra casa comum do género humano", está ameaçada pela desordem, não apenas militar, mas também ambiental, a ponto de exigir um esforço global, que mantenha a terra habitável. A política de "relação de forças", seguida pelos EUA, tem já sinais do fim da liderança americana (Bertrand Badie), do outono ocidental, e do apagamento da "luz do mundo" que a Europa já teve (Jacques Barzun). O facto que parece mais inquietante é que, embora tenha sido o objetivo essencial da utopia da ONU responder ao globalismo das interdependências sem fronteiras, nos domínios cobertos pelos avanços das ciências, das técnicas, das comunicações, os riscos crescentes da quebra da paz multiplicaram as formas e capacidade de agressão, desde o terrorismo às capacidades de precipitar uma cascata atómica, impondo a debilidade crescente da sonhada ordem, sem despontar uma viável governança mundial. A referida utopia da ONU invocou uma sabedoria que cresceu no sentido de pôr um ponto final no castigo infligido à ambição da Torre de Babel; mas o abuso da sonhada substituição das "crenças das Igrejas" pela "religião da ciência" (Renan, 1848) implicou que o globalismo sem governança implicasse uma "luta de relação de forças", em que se distinguem, contra o sonho de Harry Truman, e as suposições de Trump, o desafio da China, o desafio de Moscovo e o número de emergentes que não apreciam a história da ocidentalização do globo pela colonização. Parece haver acordo sobre o facto de os EUA, nas áreas da cultura, das ciências, das técnicas, cujas atividades apoiavam o que, no tempo de Obama, foi chamado o soft power, possuírem uma projeção global, e que é inegável o prestígio de Harvard, Stanford, MIT, Columbia, sempre no topo da classificação de Xangai, que a iniciativa económica e financeira inspiram o triunfo mundial das marcas das suas empresas, prestígio também apoiado em fundações, em que se distingue o modelo e ação da Rockefeller Foundation (1913), empenhadas em apoiar iniciativas educativas e culturais, a paz da utopia e o desenvolvimento sustentado que o papa Paulo VI chamou, na ONU, o novo nome da paz. Mas é no plano da falta de governança mundial, que deveria ser um desenvolvimento da utopia da ONU, que a competição entre os poderes que descuidam o passado trágico da história das guerras, mais guiadas pela Realpolitik do príncipe de Maquiavel do que pela "paz perpétua" do internacionalista Kant, que esperava, no objetivo dos políticos, adotar uma legalidade expressa num campo de normas universalmente respeitadas. Nesta fratura entre as utopias humanistas e a multiplicação de utilitarismos políticos expansionistas, a defesa sem desistência das primeiras tem de não esquecer que o futuro teima em aparecer antes de previsto. Nos EUA também, na sociedade civil, estão ativas as iniciativas defensoras sem desistência dos valores da "terra casa comum da humanidade", distinguindo-se hoje, com alegadas reservas, a chamada Open Society Foundation, devida a George Soros, em defesa da paz, da democracia, da circulação das elites, do funcionamento dos centros de investigação. Esta linha, com tradição centenária, manter-se-ia animadora se, sem reservas, viesse a ser revigorada, em benefício de deter o outono ocidental, de recuperar a solidariedade atlântica e desenvolver a capacidade de ajudar, com autenticidade, a organizar a governança do globalismo. Os projetos existem, mas o imprevisto está à espera de uma oportunidade. Os movimentos de protesto contra as práticas ofensivas do ambiente, que uma criança conseguiu dinamizar em nome do direito a um futuro, são legitimados pelas ameaças de que tomam experiência sofrida, mas reclamando a ação dos responsáveis que possuem o poder político, o domínio do saber, a capacidade e o dever de anunciar a batalha da recuperação. O tempo perdido em minimizar a importância do apelo que vem de uma infância amargurada pelas dúvidas sobre o legado que vão receber ajuda a que, em mais uma ocasião, talvez o futuro aconteça sem previsão.

Adriano Moreira
Adolfo Mesquita Nunes

A liberdade de um deputado

Quando votei a favor da possibilidade de adoção por casais de pessoas do mesmo sexo, afastando-me do sentido de voto maioritário do meu partido, não invoquei o argumento da liberdade de consciência. Como expliquei numa declaração de voto, o voto não era desconforme com o programa eleitoral com que o partido se tinha apresentado, era coerente com as minhas posições de sempre, e seguia uma linha argumentativa compatível com o espaço político da direita. Por toda a Europa, deputados e partidos de direita votavam de forma semelhante.

Adolfo Mesquita Nunes
Marisa Matias

Aqueles que não vemos

PremiumA Europa está cheia de pessoas que todos os dias trabalham sem que os seus direitos sejam reconhecidos. Mais do que isso, a Europa está cheia de pessoas que trabalham sem que se saiba que elas existem. Portugal não é exceção. Basta pensarmos nos trabalhadores nos olivais intensivos no Alentejo e nas sucessivas denúncias de violação dos seus direitos para termos apenas um exemplo. É por isso que a luta dos 26 trabalhadores sem papéis da Chronopost Alforteville e a sua vitória desta semana é tão bonita e tão simbólica.

Marisa Matias
Viriato Soromenho-Marques

Para onde olha o anjo da história?

Um dos paradoxos do nosso tempo é a contradição entre a acumulação de desafios com impacto global, atual ou futurível, e a ausência ou ingenuidade das meditações acerca do seu diagnóstico e dos meios de os enfrentar. Uma das perdas irreparáveis causadas pelo nazismo foi o desaparecimento da derradeira linhagem de pensadores europeus - grande parte deles judeus completamente integrados na cultura e cidadania germânicas -, que se concentrava na construção de "visões do mundo" (Weltanschauungen), e que quando olhava para o futuro, pensava-o a partir de filosofias integrativas da história. Hoje temos especialistas em desafios titânicos, com risco ontológico planetário, como sejam a aceleração da crise ambiental e climática; a ameaça de grandes catástrofes com raiz nas novas tecnologias, como as nanotecnologias e as biotecnologias; o perigo de nos submetermos à ditadura digital de um sistema unificado de inteligência artificial; ou, ainda, de tropeçarmos no arsenal das armas de destruição maciça, porque elegemos ou consentirmos políticos iliteratos e moralmente grotescos para decidir sobre o seu uso. Mas faltava-nos a capacidade de pensar e dar sentido a tudo isso em conjunto.

Viriato Soromenho-Marques
Rogério Casanova

Dracula: sem pinga de sangue

PremiumAs ficções especializadas em extrair humor de anacronismos têm dois mecanismos ao seu dispor. Um é aquilo a que podemos chamar o método Astérix (visível em objectos tão diferentes como o Mason & Dixon, de Thomas Pynchon, ou a recente minissérie da Apple TV Dickinson): contrabandear as tecnologias, hábitos e referências culturais do presente para o passado remoto, de modo que um espião do Império Romano possa ter o aspecto de Sean Connery ou que George Washington possa fumar charros.

Rogério Casanova
Maria do Rosário Pedreira

Você (não) está aqui

PremiumAté há pouco tempo, quando viajávamos, o recepcionista do hotel tinha sempre à mão para nos entregar um mapa desdobrável que, regra geral, exibia no verso anúncios a restaurantes e espectáculos caça-turistas e uma planta ampliada do centro da cidade onde estavam assinalados com desenhos ingénuos os sítios que não podíamos deixar de visitar. E fazia um círculo a esferográfica na rua do hotel - como quem diz "Você está aqui" - marcando o início da caminhada e mostrando o trajecto até ao destino. Lembro-me também de ser comum encostar o carro à berma numa cidade desconhecida e abrir o vidro para perguntar a um transeunte onde ficava determinada rua. Contávamos connosco e com a bondade de estranhos.

Maria do Rosário Pedreira
Leonídio Paulo Ferreira

O caos pós-Kadhafi, como o caos pós-Saddam

Entre os ditadores derrubados pela Primavera Árabe de 2011, o líbio Muammar Kadhafi foi o que teve o destino mais trágico: nem o exílio, como o tunisino Ben Ali, nem a prisão, como o egípcio Hosni Mubarak. Teve um fim bem mais parecido com o do líder iraquiano Saddam Hussein, derrotado, capturado e executado quase uma década antes. A revolta contra Kadhafi acabou em morte, por linchamento, e com os derradeiros momentos filmados por telemóveis. O rosto tanto de estupefação como de horror do governante líbio impressionava quem quer que visse as imagens e estas foram transmitidas pelas televisões do mundo inteiro. Também a morte de Saddam foi filmada.

Leonídio Paulo Ferreira
Daniel Deusdado

Taxa das celuloses: uma escandalosa guerra no Governo

Causa algum choque ler o editorial do Público de ontem sobre um tema crucial para o país - a floresta. Como assinalei há duas semanas, tudo começa com uma notícia da jornalista Helena Pereira, no próprio Público, a 30 de Dezembro, sobre o Governo se ter esquecido de criar uma taxa sobre as indústrias intensivas da floresta. A medida visaria financiar uma parte do Fundo Florestal Permanente cujo objetivo é dotar o país de um verdadeiro mosaico florestal e contribuir para os custos de prevenção contra incêndios.

Daniel Deusdado
Filipe Gil

Música como nos filmes

Tenho uma relação estranha com a música clássica. De tempos a tempos tenho urgência em ouvir. Seja a conduzir, a escrever ou a ler ou até mesmo nas raras vezes em que cozinho. Serve como uma espécie de "limpador" da música mais plástica que passamos o tempo o ouvir, quer na rádio ou nas listas que o algoritmo do Spotify nos impinge - como se fosse um amigo de longa data. Curiosamente, fui autodidata no que toca a colocar Mozart, Bach, e outros, nos meus ouvidos. Em pequeno, eram os Abba e músicas pop francesas que se ouvia com frequência no gira-discos lá de casa. Clássica nunca.

Filipe Gil
Anselmo Crespo

O PSD e "o menor de dois males"

Na mesa do costume, à hora do costume, o senhor Manuel, da Courense, continuava a trazer comida para dois como se tivessem vindo 10 para almoçar. Tema de conversa? A inédita segunda volta das diretas do PSD, a fazer lembrar uma não menos inédita segunda volta das presidenciais de 1986, que colocou frente a frente Mário Soares e Freitas do Amaral, depois de deixar pelo caminho Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo. Num exercício que, para muitos, pode parecer inútil, eu e o meu companheiro de todos os dias ao almoço procurávamos semelhanças, diferenças e subtilezas políticas nos dois atos eleitorais, partindo sempre do princípio de que a história tem sempre alguma coisa para nos ensinar e nos enquadrar.

Anselmo Crespo
João Céu e Silva

Grande mesmo era Raul Cortez a fazer de Salieri

Protagonizar os grandes compositores no cinema é uma tarefa tão difícil como a de os próprios comporem grandes sinfonias, nada que tenha proibido vários cineastas de o tentarem. Talvez Mozart seja o mais fácil de replicar, usando os seus traços de genialidade desde criança como fez Milos Forman no premiadíssimo Amadeus. Após 13 nomeações, coisa não tão vulgar assim, levou oito Óscares para várias categorias, e deixou para sempre a imagem na mente dos espectadores do mundo (sur)real de Mozart, fixando a sua vida por várias gerações. No entanto, quando tento recordar o nome do ator que fazia de Mozart, nem uma vaga memória. Após uma busca descobre-se que foi Tom Hulce...

João Céu e Silva
Filomena Naves

Aquelas quatro notas

Pan pan pan paaam... Pan pan pan paam... Quatro notas límpidas - e todo um universo naquela ideia simples. Como uma pergunta lançada no ar, que se vai repetindo nos vários instrumentos de infinitas maneiras, aquele pan pan pan paam sucede-se numa escalada cada vez mais tensa, atravessa a orquestra, reinventa-se em timbres e alturas e, já à beira de não poder prosseguir, atinge um ponto de luz, e espraia-se no horizonte - para logo recomeçar. São talvez as mais famosas quatro notas do nosso imaginário musical, que as tornou suas de muitas maneiras: nas canções pop rock, no cinema, nos desenhos animados, no humor, e até na resistência à tirania. E se um cão chamado Beethoven nos faz sorrir, um cartoon nos arranca uma gargalhada e uma boa rockalhada à base das famosas quatro notas nos enche de pica (talvez não funcione para todos), a sua utilização na luta contra a guerra e a opressão não podia ser mais apropriada ao seu criador - Beethoven, claro.

Filomena Naves
Henrique Burnay

Quem está mal muda-se

"Um inglês, um escocês e um irlandês entram num bar. O inglês não gosta, todos têm de sair." Molly Scott Cato é (já por poucos dias) deputada ao Parlamento Europeu eleita pelo partido verde britânico no círculo do Sudoeste do Reino Unido e Gibraltar. No final do ano resolveu publicar esta espécie de anedota no Twitter para explicar quase graficamente como a decisão de sair da União Europeia não foi maioritária em todo o Reino Unido, mas apenas entre os ingleses e os galeses. Pelo contrário, 62% dos escoceses e 56% dos irlandeses preferiam, pelo menos à data, ter ficado na Europa.

Henrique Burnay
Adriano Moreira

Leviandade

O presidente dos EUA não confia nos historiadores e, por isso, criou um novo registo das suas intervenções de liderança, que é o abuso diário dos tuítes, repetidas vozes animando as respostas críticas alarmantes com a insistência criticada do populismo que pratica. Nesta data em que mostra a certeza de que os senadores republicanos impedirão a sua condenação política, decidiu executar um ato que lhe pareceu animador do apoio eleitoral que tem previsto. Deste modo somam-se intervenções irresponsáveis quanto aos efeitos, no sentido de violar a insuficiente ordem mundial. Não lhe correu bem a tentativa de conseguir um acordo com a Coreia do Norte, mas sobretudo não evitou abalar a segurança atlântica, tendo como referência tornar de novo os EUA fortes, a casa no alto da colina, feliz com o Brexit do Reino Unido, exigente quanto aos custos financeiros da NATO, colocando a Embaixada dos EUA em Jerusalém com a consequência das novas vítimas, redefinindo a conceção de Jefferson - Abade Correia da Serra no sentido de substituir a legalidade do big stick pela construção de um muro.

Adriano Moreira
Viriato Soromenho-Marques

Uma política de cabelos e lama

Num dos seus mais desafiantes diálogos, Platão coloca um idoso Parménides, fundador da filosofia ocidental, em aceso debate com o jovem Sócrates sobre a questão de como pode haver relação entre a multiplicidade de coisas sensíveis aparentemente tão irrelevantes como cabelos ou lama e a unidade das ideias inteligíveis. Por analogia, é muito difícil acomodar a multiplicidade disparatada das decisões de Trump dentro dos requisitos conceptuais que permitem reconhecer a unidade de uma política.

Viriato Soromenho-Marques
Margarida Balseiro Lopes

O Pedro e o Luís

Num espaço de três dias, entre 28 e 31 de dezembro, perderam a vida dois jovens do ensino superior em Portugal. Num país que é considerado como um dos mais seguros do mundo. O Pedro e o Luís foram ambos alvo de uma morte violenta e injustificada. Apesar de terem ocorrido em cidades diferentes e os contornos de cada caso estarem ainda a ser investigados pelas autoridades competentes, devemos refletir sobre o que aconteceu e o que falhou. E devemos aproveitar esta oportunidade para recordar o nosso compromisso para com todos os que cá vivem, independentemente das suas origens e nacionalidade. É esse um dos pilares de um Estado de direito democrático.

Margarida Balseiro Lopes