A ceia do eunuco

Castram-se os galos em março, alimentam-se a grão e couves para dezembro. Nas mesas de Natal do Vale do Sousa, as famílias sentam-se em volta do capão. Foi o manjar dos reis e é uma iguaria rara, protegida por produtores e cozinheiros e, agora, também por certificação europeia. O passado tornou uma ave eunuca o orgulho de Freamunde. O futuro pode torná-la a salvação da terra.

Os animais estão prontos, nesta semana vão a feira. No próximo domingo, dia 13, o povo acorre a Freamunde, freguesia de Paços de Ferreira. Alguns para participar na romaria de Santa Luzia, a maioria para comprar um capão para o Natal. Ave gorda, seis a sete quilos, uma iguaria nortenha. Custam uns 50 euros, quando não 60, e seguem vivos para as cozinhas - se vão a mesa na consoada, são degolados a 22 de dezembro. A multidão de interessados tem crescido, neste ano a associação de criadores local espera vender 2500 animais. Isso mais a semana gastronómica que começou no inicio do mês, em que os principais restaurantes do concelho servem o bicho por encomenda. É um recorde. Há cada vez mais gente a querer comer a iguaria e há cada vez mais gente a criá-la nos galinheiros. A galinha dos ovos de ouro, afinal, não é galinha nem dá ovos.

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