Xi Jinping vai exigir "respeito mútuo" nas negociações comerciais com Trump

O aviso foi dado pelo vice-ministro chinês Wang Shouwen antes da cimeira do G20, que ficará marcada pelo encontro entre os chefes de estado da China e dos Estados Unidos

Xi Jinping, presidente chinês, vai exigir respeito mútuo e pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) ao homólogo norte-americano, Donald Trump, quando debaterem a guerra comercial durante a cimeira do G20, disse esta segunda-feira fonte governamental.

O vice-ministro chinês do Comércio, Wang Shouwen, confirmou, em conferência de imprensa, que as delegações de Pequim e Washington estão em contacto, visando preparar o encontro entre os dois líderes. "Os princípios da China são o respeito mútuo, tratar uns aos outros como iguais e respeitar as regras da OMC", afirmou.

"O compromisso deve ser dos dois lados", defendeu ao falar sobre o encontro, que se realizará entre os dias 28 e 29 de junho, em Osaca, no Japão. Wang lembrou que o "unilateralismo" e o "protecionismo" abrandaram o crescimento económico global e criaram "incertezas".

O vice-ministro citou dados da OMC que diz provarem que o comércio internacional está ao nível mais baixo, desde março de 2010, e que o investimento estrangeiro global caiu para níveis equivalentes ao início da crise financeira internacional.

Wang assegurou que a China apoia o "consenso" para reformar a OMC e considerou que o G20 "deveria apoiar o livre comércio, não discriminatório e transparente", bem como promover "a profunda integração entre comércio e economia digital".

Um acordo que ponha fim às disputas comerciais com os Estados Unidos "tem que ser benéfico para ambas as partes, ambos têm que se comprometer e fazer concessões, não apenas um dos lados", sublinhou.

Zhang Jun, ministro assistente dos Negócios Estrangeiros chinês, apontou que o G-20 ocorre numa altura em que a economia enfrenta "mais riscos e incertezas" e afirmou que a China assumirá um "papel construtivo" na reunião.

Zhang anunciou que Xi vai manter vários encontros bilaterais em Osaca e participar numa reunião com os presidentes dos países do bloco dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), cuja próxima cimeira se realiza no Brasil, em novembro. "A China vai levar uma mensagem forte na defesa do multilateralismo contra o unilateralismo", disse.

Em maio passado, as disputas comerciais entre Pequim e Washington agravaram-se quando, após 11 rondas de diálogo, as negociações foram subitamente interrompidas.

Washington acusou então Pequim de retroceder em compromissos anteriormente alcançados, enquanto a China acusou a delegação norte-americana de não respeitar a soberania e a dignidade do país e de fazer exigência inaceitáveis.

Os governos das duas maiores economias do mundo impuseram já taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares de bens importados, numa guerra comercial que espoletou no verão passado.

Em causa estão os planos de Pequim para o setor tecnológico, que visam transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Washington impôs já taxas alfandegárias de 25% sobre 250 mil milhões de dólares de bens importados da China e ameaça taxar mais 300 mil milhões.

O presidente norte-americano, Donald Trump, colocou a gigante chinesa das telecomunicações Huawei numa "lista negra", que restringe as empresas dos EUA de fornecer chips, semicondutores, software e outros componentes, sem a aprovação do Governo.

Pequim ameaçou suspender a exportação para os EUA de terras raras, os minerais essenciais para o fabrico de produtos eletrónicos. Criado em 1999, o G20 integra os ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo e da União Europeia.

Os presidentes da China e dos Estados Unidos, Xi Jinping e Donald Trump, respetivamente, falaram na semana passado por telefone, visando retomar as negociações.

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