Vice Mike Pence responde às tensões raciais com defesa da lei e ataques à "esquerda radical"

Ataques ao candidato presidencial democrata à presidência dos EUA e à esquerda radical, bem como a defesa intransigente da lei nas ruas, marcaram o terceiro dia da convenção republicana, que se centrou na figura do vice-presidente, Mike Pence.

O vice-presidente Mike Pence, o orador da noite, aproveitou o momento em que o país se manifesta contra a injustiça racial para argumentar que os líderes democratas estão a permitir que a ilegalidade prevaleça nas cidades norte-americanas.

Tanto Pence como outros republicanos descreveram cidades devastadas pela violência, embora a maioria dos protestos tenham sido pacíficos.

Na origem das manifestações está um novo caso de violência policial contra afro-americanos, a morte de Jacob Blake, alvejado várias vezes por um polícia branco no Wisconsin, onde decorreram manifestações antirracistas que resultaram já em dois mortos, alegadamente por um jovem de 17 anos, já detido.

No seu discurso na Convenção Nacional Republicana, na quarta-feira, Pence aceitou a nomeação do partido para vice-presidente de Donald Trump e falou da violência que eclodiu precisamente em Kenosha, Wisconsin.

"A violência deve parar, seja em Minneapolis, Portland ou Kenosha", afirmou, para acrescentar: "Teremos lei e ordem nas ruas deste país para cada americano de cada raça, credo e cor."

Para o republicano, os norte-americanos "não estarão seguros nos Estados Unidos de Joe Biden", que descreveu como um "cavalo de Troia da esquerda radical".

"A dura verdade é que eles não estarão seguros na América de Joe Biden", salientou.

Pence garantiu que Joe Biden, o candidato democrata à presidência, "apoia as mesmas políticas que estão a gerar ruas inseguras e violência nas cidades dos Estados Unidos" e que "cortaria fundos" para a polícia, mesmo depois de o ex-vice-presidente de Barak Obama o ter já negado.

"Joe Biden levaria os Estados Unidos por um caminho de socialismo e declínio, mas não vamos permitir que isso aconteça", disse Pence, que falou de Fort McHenry em Baltimore (Maryland), conhecido por ser o local de uma batalha que em 1812 inspirou a composição do hino nacional norte-americano.

O vice-presidente aproveitou o facto de Biden se ter definido como um "candidato de transição" para argumentar que essa transição dará poder a figuras mais progressistas, e sentenciou: "Joe Biden seria nada mais do que um cavalo de Troia da esquerda radical."

O discurso enquadrou-se num dos grandes temas do terceiro dia da convenção, o da "lei e ordem", e o apoio incondicional à polícia diante de acontecimentos como os protestos raciais, sem se aprofundar as causas profundas que estão na base do descontentamento.

"Nos nossos primeiros três anos, construímos a melhor economia do mundo. Tornámos a América grande novamente", sublinhou, numa referência ao slogan da campanha de Trump, para justificar depois a crise económica e o atual desemprego nos Estados Unidos: "E então o coronavírus veio da China."

Pence defendeu que a proibição de Trump de entrada de estrangeiros da China "salvou inúmeras vidas americanas" e descreveu a resposta à pandemia como "a maior mobilização nacional desde a Segunda Guerra Mundial".

Tal como a primeira-dama, Melania Trump, na noite anterior, Pence dedicou algumas palavras a "todas as famílias que perderam entes queridos e cujos parentes ainda lutam contra a doença", mas, orgulhosamente, defendeu que "as escolas estão a reabrir" no país, apesar de se manter elevado o número de casos e óbitos.

O vice-presidente garantiu que a eleição de 3 de novembro será entre "um político de carreira que presidiu à recuperação económica mais lenta desde a Grande Depressão", numa alusão a Biden, "ou um líder comprovado que criou a maior economia do mundo".

O vice-presidente fez o discurso de aceitação perante dezenas de pessoas, entre elas vários militares e ex-combatentes, sentados sem máscaras ou quase sem separação.

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